Marcella Petriglia vence Prémio Vergílio Ferreira de ensaio com obra sobre Eugénio de Andrade
Marcella Petriglia é a vencedora do Prémio Vergílio Ferreira 2026, na categoria de ensaio, com a obra "Num labirinto levado por um ritmo: espaços e tempos da escrita eugeniana", anunciou a Câmara de Gouveia.
Instituído em 1997 pela autarquia de Gouveia, o galardão tem como objetivo homenagear o escritor Vergílio Ferreira, natural de Melo, naquele concelho do distrito da Guarda, e incentivar a produção literária, contribuindo para a defesa e enriquecimento da língua portuguesa.
Segundo o júri, o ensaio distinguido "acrescenta dados importantes à bibliografia passiva de Eugénio de Andrade, quer no domínio da inventariação, divulgação e análise do espólio do poeta, quer no da abordagem estilística dos seus textos poéticos".
"Dando uma atenção cuidada aos principais textos críticos sobre o poeta, Marcella Petriglia mostra na sua abordagem ensaística uma notável adesão ao princípio de leitura próxima dos textos, mantendo sempre uma clareza linguística e conceptual cuja qualidade o júri reconheceu unanimemente", é referido em comunicado enviado à agência Lusa.
Marcella Petriglia é atualmente professora contratada de Língua portuguesa e brasileira na Universidade de Florença, em Itália.
As suas áreas de estudo incluem os estudos da tradução, também numa perspetiva genética, e a presença da oralidade nos textos literários.
No ano letivo de 2024-2025 foi bolseira do programa "Investigação em Cultura Portuguesa", da Fundação Calouste Gulbenkian, com o projeto "Aspetos genéticos da obra de Eugénio de Andrade: textos em movimento, dos arquivos à tradução".
Este trabalho retomava e prosseguia as suas pesquisas de doutoramento em Linguística (Universidade de Évora) e em Ciências do Texto (Sapienza, Università di Roma), conseguido em 2023 e financiado pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua.
Membro da Cátedra António Vieira do instituto Camões, da Sapienza, Marcella Petriglia fez várias traduções de português para italiano, destacando-se a da coletânea de Eugénio de Andrade "Vertentes do Olhar", publicada em 2024 pelas edições Nuova Cultura, de Roma.
A Câmara de Gouveia adianta que concorreram a esta edição do Prémio Vergílio Ferreira 32 obras, que foram apreciadas por um júri constituído por Alípio de Melo, em representação do município; José Manuel Mendes, da Associação Portuguesa de Escritores; e Manuel Frias Martins, da Associação Portuguesa de Críticos Literários.
"Além do reconhecimento do autor e da obra literária vencedora, o prémio terá um valor pecuniário de 10 mil euros e será entregue à autora em cerimónia pública, em outubro de 2026, no âmbito do Festival Literário Em Nome da Terra", adianta a autarquia gouveense.
O galardão já distinguiu, entre outras, as obras "Que possível ensaio sobre a verdade em Vergílio Ferreira", da autoria de Maria do Rosário Cristóvão (2018); "Dor de Ser Quase, Dor Sem Fim", de Iolanda Martins Antunes (2016), e "O Cómico em Vergílio Ferreira", de Jorge Costa Lopes (2013).
"Diário dos Imperfeitos", de João Morgado (2012), "Estação Ardente", de Júlio Conrado (2006); "José Saramago: a Literatura e o Mal", de Carlos Nogueira (2022), e "Por amor a Leonor" (2024), de António Garcia Barreto, foram outros premiados.
O Prémio Vergílio Ferreira distingue bienalmente, de forma alternada, um romance e um ensaio literário.