Mascararte promete "soltar" o maior diabo alguma vez visto
Bragança, 28 nov (Lusa) -- A figura do diabo que domina as festas de inverno no Nordeste Transmontano vai invadir a cidade de Bragança, na primeira semana de dezembro, em cortejos, rituais e palestras da Mascararte, a bienal da máscara.
O evento, que há dez anos promove uma das mais genuínas tradições transmontanas personificadas nos caretos das Festas dos Rapazes, promete apresentar "o maior diabo alguma vez visto" para ser queimado no final da bienal, como acontece nos rituais festivos transmontanos.
O objetivo não é bater recordes, como sublinharam hoje os promotores na apresentação do evento, mas surpreender o público da Mascararte, que desafia também as escolas a dar azo à criatividade e a criar diabos ao gosto da imaginação.
Podem ter asas de anjo, ser simbolizados em figuras conhecidas ou manter a imagem de meio homem meio animal, vermelho, com cauda e tridente para encher a primeira concentração de diabos no encerramento da quinta Mascararte, que decorre entre 01 e 07 de dezembro.
A organização é da Câmara Municipal, Escola Superior de Educação e Academia Ibérica da Máscara, que decidiram dedicar esta edição da Mascararte exclusivamente à infernal figura mítica que inspira as festas de inverno, entre o final de outubro e o Domingo Gordo de Carnaval.
É a primeira vez que a Mascararte aborda exclusivamente "algo genuíno da região", como sublinhou Luís Canotilho, da organização, referindo-se à figura do diabo simbolizada nas máscaras transmontanas com as quais saem à rua os tradicionais caretos no Natal e no Carnaval.
São tradições partilhadas com os vizinhos espanhóis de Zamora que também vão participar na Mascararte de Bragança, concretamente nas exposições sobre "os diabos nas festas de inverno em Trás-os-Montes e Zamora" e no debate em torno do "caráter diabólico das máscaras nos rituais de inverno".
Os rituais transmontanos com as máscaras são também feitos de sonoridades, como as gaitas de foles assinaladas no festival que durante todas as noites da bienal vai mostrar "a música na rota dos caretos".
Os gaiteiros e os caretos vão também animar as ruas da cidade até ao encerramento da bienal, em que o momento alto será a queima do diabo, um ritual que faz também parte das festas de inverno.
O diabo que vai ser queimado será aquele que está anunciado como "o maior alguma vez visto", embora Fátima Fernandes, também da organização, se recuse a adiantar as medidas da imponente figura que permanecerá exposta no centro da cidade até ao "juízo final".
A Mascararte contempla ainda a inauguração da sede da Academia Ibérica da Máscara, presidida pelo estudioso destas tradições transmontanas, António Tiza, e que ficará na zona histórica de Bragança junto ao Museu Ibérico da Máscara.
A organização da Mascararte vai ainda "ressuscitar" a trilogia do diabo, a morte e a censura, que antigamente saíam à rua pelo Carnaval a "atormentarem" quem se cruzasse no seu caminho com o tridente, a gadanha e a tesoura.