Mercado cinematográfico português deve abrir-se aos países lusófonos para além do Brasil - produtora Pandora da Cunha Telles
Rio de Janeiro, 3 Out (Lusa) - A produtora portuguesa Pandora Telles do filme "A Corte do Norte", que estreou no Brasil no Festival Internacional do Rio de Janeiro, defende que é preciso procurar a lusofonia para além de Portugal e do Brasil.
Pandora da Cunha Telles, que esteve na sessão de gala do filme português no festival, quinta-feira, disse à agência Lusa que a cinematografia de Portugal deve abrir-se ao mercado cinematográfico lusófono de outros países.
"É pequena a nossa produção, é quase artesanal, pois não fazemos mais do que 12 filmes por ano. Temos que procurar a lusofonia para além de Portugal e do Brasil, procurar um pouco mais longe, também nos países africanos".
Pandora enfatiza a necessidade de expandir a distribuição dos filmes portugueses mesmo que seja preciso legendar para alcançar um público maior.
"Um filme português no Brasil será sempre um filme estrangeiro, os brasileiros não conseguem entender sem legendas. Temos que estar abertos a legendar e aceitar que é a mesma língua mas que se fala de forma diferente".
De acordo com a produtora, para haver esta abertura do mercado é preciso também realizar co-produções que sejam "naturais e que haja uma empatia a nível de histórias".
Pandora da Cunha Telles citou o exemplo da produção luso-brasileira de "O Mistério da Estrada de Sintra" (2007), realizado pelo português Jorge Paixão da Costa, que foi exibido no Festival de Cinema de Gramado, no Brasil, em Agosto deste ano.
Outra co-produção, que começará a ser rodada em breve, será o filme "O Vendedor de Passados", pela Conspiração Filmes, do escritor angolano José Eduardo Agualusa, que está a ser adaptado ao cinema pelo realizador brasileiro Lula Buarque de Holanda.
Segundo a produtora, o desafio está em realizar e produzir filmes de qualidade, apesar dos recursos serem escassos. É o caso de "A Corte do Norte", gravado em 2007 durante oito semanas, uma delas na Madeira, e que não ultrapassou o orçamento de um milhão de euros.
"Às vezes é necessário procurar aquilo em que não se vai notar a falta de dinheiro, mas aquilo onde se vai notar o talento. Em Portugal nunca vamos ter grandes orçamentos, somos um país de 12 milhões de habitantes, não é possível ter filmes de grandes orçamentos, mas é possível ter filmes nos quais não transpareça a falta de recursos".
O cinema português, para Pandora, ainda precisa diversificar-se e, assim, conseguirá garantir maior abertura e aceitação no mercado internacional, realçando que no Brasil não é por falta de conhecimento, mas por não atingir um público mais amplo e diverso.
"A cinematografia portuguesa no Brasil não é desconhecida, os filmes de Manoel de Oliveira estreiam sempre no Brasil. Mas está simplesmente equacionada para um determinado mercado mais `art and science`. Com a diversificação das novas produções do cinema português, vai conseguir-se também uma diversificação dos públicos e vai haver uma identificação a nível internacional".
"A Corte do Norte" é uma adaptação do romance homónimo da escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís, que se passa na Madeira. A actriz principal Ana Moreira interpreta cinco gerações de mulheres da mesma família ao longo de um século.
Antes da estreia nas salas de cinema em Portugal, marcada para 13 de Novembro, a longa-metragem foi destaque no Festival de Cinema de Nova Iorque e no Festival do Rio de Janeiro, um dos maiores eventos de cinema da América Latina.
Durante o Festival do Rio, que decorre até 9 de Outubro, cinco filmes portugueses serão exibidos.
FO.