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Milagre das rosas, robótica e anos 1980 inspiraram alunas da Magestil

Milagre das rosas, robótica e anos 1980 inspiraram alunas da Magestil

Os anos 1980 e as praias da Califórnia, o milagre das rosas, a robótica e o filme Laranja Mecânica serviram de inspiração a alunas da Escola de Moda de Lisboa que quarta-feira apresentam em desfile três anos de trabalho.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

A grande prova de fogo dos 22 finalistas deste ano dos cursos da Escola de Moda de Lisboa - Magestil, acontece quarta-feira à noite na Praça dos Museus no CCB, frente a 2.000 convidados.

Para Vanessa Alexandra, 19 anos, Susana Ferreira, 22, Vanessa Marques, 19, e Sandra Novo, 21, alunas do terceiro ano dos cursos de Design de Moda e de Coordenação e Produção de Moda o desfile é o culminar da prova de aptidão profissional que têm de prestar para mostrar que estão preparados para o mundo de trabalho.

"A prova de aptidão profissional passa pela elaboração de um projecto, no caso dos alunos de Design de Moda pela criação de 12 coordenados, em que seis vão a desfile, e no caso dos alunos de Coordenação e Produção de Moda, por promover e "acessorizar" as colecções dos colegas", explicou à Lusa o professor Sérgio Freire.

Uma visita à feira de tendências e tecidos "Premiere Vision", que se realiza anualmente em Paris, e pesquisas em revistas e sites que revelam as tendências de cada estação, foi o primeiro passo que os alunos de Design de Moda tiveram de dar, no caminho até ao desfile de quarta-feira.

Vanessa Alexandra decidiu basear a colecção na tendência "orgânico".

Para criar os 12 coordenados para a Primavera/Verão de 2008, a aluna inspirou-se no milagre das rosas, por isso recorreu a tecidos naturais e forrou os casacos com um padrão floral.

Susana Ferreira aposta numa colecção "chamativa", de cores fortes, inspirada nos anos 1980 e nas praias da Califórnia e em que mistura diversos materiais.

Sandra Noivo, que optou por apresentar uma colecção masculina "de espírito casual, em que o clássico e o desportivo se juntam", escolheu tecidos tecnológicos para criar coordenados (constituídos por três peças cada um) inspirados na robótica e no filme "Laranja Mecânica", de Stanley Kubrick.

As alunas, tal como os outros colegas, tiveram de elaborar um caderno técnico em que apresentam o painel de ambiências da colecção, os esquemas de costura, os tecidos escolhidos, a criação de um padrão, os "croquis" e o desdobramento de cores (utilização das cores em peças diferentes).

Todo este trabalho gráfico já foi avaliado por um júri, o mesmo que irá assistir e avaliar o desfile, constituído pelos designers de moda José António Tenente e João Rolo, o estilista da empresa Dealmar Tó Simões, e as responsáveis pelos guarda-roupas da SIC, Helena Carmona, e da TVI, Marta Vicente, ex-aluna da Magestil.

Além dos seis coordenados dos 17 alunos do curso de Design de Moda, irão ser apresentados no CCB trabalhos que venceram alguns concursos em que a Magestil participou.

O vestido de noiva que tradicionalmente encerra os defiles será inspirado no café e em São Tomé e Príncipe, com que Susana Ferreira venceu a edição deste ano do concurso promovido pela Exponoivos, que tinha como tema o mundo lusófono.

Pela passerelle do CCB vão passar também os coordenados finalistas do Coimbra Fashion, criados por três alunos do segundo ano que estudam Design de Moda na escola.

"O tema do concurso eram as Sete Maravilhas nacionais, eu escolhi a Universidade de Coimbra para criar cinco coordenados inspirados nos trajes académicos, em que as cores, como o vermelho e o amarelo representam os cursos mais antigos, como direito e medicina", contou Joana Pontes, 20 anos.

A aluna do segundo ano teve que tentar conciliar o tema com as tendências para a Primavera/Verão de 2008, daí ter optado pelas saias e calções curtos.

As criações dos alunos vão estar visíveis na "passerelle", mas há todo um trabalho de bastidores que é também da responsabilidade de alunos da escola, entre os quais Vanessa Marques.

A aluna do curso de Coordenação de Produção de Moda criou para a colecção de uma colega a etiqueta da marca, as embalagens, um "corner" para uma loja multi-marcas e os acessórios que vão complementar os coordenados.

Além disso, Vanessa e mais quatro colegas ajudaram na escolha dos manequins e na forma como o desfile deve decorrer.

Os alunos dos dois cursos trabalham em conjunto durante o ano lectivo, tal como aconteceria se estivessem a trabalhar.

Durante o ano os alunos da Magestil participam em cerca de 12 a 15 projectos e concursos das mais variadas empresas.

"Na série da TVI `Morangos com Açúcar` há uma personagem, a Filipa, que está a estagiar num atelier de Design de Moda, os `croquis` e peças que ela `cria` são dos nossos alunos", contou à Lusa Sérgio Freire.

"A realidade empresarial está muito presente no curso desde o primeiro ano. Aqui eles aprendem executando", acrescentou o professor.

Esta relação estreita entre escola e mundo profissional faz com que muitos optem por não seguir para o ensino superior.

Os alunos que estudam na Magestil obtêm uma qualificação de nível III - técnico intermédio de empresa, equivalente ao 12º ano de escolaridade.

Os dias de aulas na escola começam às 08:30 e terminam às 17:30, mas nas vésperas do desfile o trabalho pode acabar para muitos já de madrugada.

Apesar da importância do evento, com mais de 2.000 convidados, não assusta os jovens criadores, cuja principal preocupação agora é saber onde vão realizar o estágio, em locais escolhidos pela escola.

A Magestil foi uma das dez primeiras escolas profissionais a serem criadas em Portugal há 19 anos, altura em que Roberto Carneiro era Ministro da Educação.

Há dois anos o departamento de moda e vestuário tornou-se autónomo, e assim nasceu a Escola de Moda de Lisboa.

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