Ministro da Cultura na apresentação do restauro da galeota de Dom João VI

Rio de Janeiro, Brasil, 31 Out (Lusa) - A galeota de D. João VI, embarcação original utilizada por toda a Família Real para transporte e actos reais, é apresentada hoje no Rio de Janeiro após cinco meses de restauro.

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Considerada uma das mais importantes relíquias históricas que marcam o período da monarquia no Brasil, a galeota real, actualmente parte do acervo do Espaço Cultural da Marinha, participou em importantes eventos históricos, como a partida de D. João VI de volta a Portugal, em 1821.

A cerimónia de apresentação do restauro conta com a presença do ministro da Cultura de Portugal, José António Pinto Ribeiro, e do seu homólogo brasileiro Juca Ferreira.

O pequeno barco foi construído na Bahia e chegou ao Rio de Janeiro em 1818 para ser oferecido ao rei D. João VI.

A galeota é um barco tipo galé, movida a remos. O casco, construído com madeiras nobres e dourado a folha de ouro, mede 24 metros de comprimento e, externamente, é ornado com frisos, figuras marinhas e outros motivos tardo-barrocos, entalhados em madeira dourada.

O trabalho de restauração e redouramento, a cargo da Espírito Santo Cultura entidade ligada ao Grupo Espírito Santo, em Portugal, começou em Junho deste ano.

A equipa de restauradores foi composta por técnicos portugueses e brasileiros, com experiência no restauro em madeira e nas técnicas tradicionais de douramento com folhas de ouro fino. A técnica é a mesma utilizada no século XVIII.

A galeota veio de Salvador rebocado por um navio à vela, que cumpriu o percurso em apenas onze dias até aportar no Rio.

Depois participou em importantes eventos históricos relacionados com a Família Real. Em 1829, transportou a segunda imperatriz do Brasil, D. Amélia Augusta de Leuchtenberg.

Em 1843, a galeota participou na chegada ao Brasil da imperatriz D. Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II. Além de ter transportado, em Outubro de 1864, a Princesa Isabel, filha de D. Pedro II.

A galeota esteve também presente no episódio que marcou o fim do regime, o grande baile da Ilha Fiscal. O seu uso permaneceu até aos primeiros governos republicanos.

FO.


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