Mito e ciência num mesmo céu observado por António Magalhães
Os nomes das constelações e os mitos que lhes estão associados são desvendados no livro "Mitos no Céu", de António Magalhães, um volume de "histórias celestes" que a editora Gradiva faz agora chegar às livrarias.
Que seres míticos são referidos pelas constelações? Qual a origem dos seus nomes? Que mitologia lhes está associada? - são algumas das questões a que o livro, prefaciado por Nuno Crato, pretende dar resposta.
"Cada civilização ia agrupando as estrelas em figuras às quais atribuía significado. Lendas e mitos, monstros e heróis foram sendo colocados no céu. A grande abóbada crivada de pontos luminosos foi-se enchendo de figuras, símbolos, avisos ou mesmo ameaças", escreve António Magalhães numa nota introdutória da obra.
O autor acrescenta que "durante séculos o céu foi uma galeria onde os heróis eram glorificados, onde eram representados combates assombrosos e a vida sentimental de deuses, semideuses e humanos era retratada".
António Magalhães assinala ainda que "o espírito moderno colocou réguas, compassos e sextantes no céu", dividindo as constelações numa forma mais prática e científica, mas à qual falta "o encanto dos mitos da Antiguidade" que, afinal, também fazem parte da cultura.
O livro arranca com algumas noções de astronomia para os leigos na matéria, com explicações acerca da medida ano-luz, do brilho e temperatura das estrelas, das constelações e do zodíaco, e inclui algumas anotações sobre a mitologia grega e romana.
As 88 constelações em que o céu está dividido são apresentadas com a respectiva referência mitológica, com a posição que ocupam no espaço celeste e com indicações para a sua observação através de binóculo ou telescópio.
Em "Mitos no Céu", para cada constelação são ainda apresentadas as imagens que os povos antigos nelas fantasiavam - e que vão de figuras humanizadas a animais -, assim como são referidas as constelações que, por não serem actualmente aceites a nível internacional, são consideradas obsoletas.
António Magalhães nasceu no Porto em 1951, licenciou-se em Medicina e é chefe do Serviço de Oftalmologia do centro Clínico da GNR em Lisboa, mantendo desde jovem um vivo interesse na Astronomia.
Membro da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores, é colaborador do Diário de Notícias e foi um dos autores da livro "Eclipses" (1999), participando amiúde em colóquios e palestras nacionais acerca da observação do céu.