MNE reúnem-se em Viana do Castelo em edifícios "assinados" por Siza e Távora
O cenário em que decorre, sexta-feira e sábado, em Viana do Castelo, a reunião dos 27 ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) da União Europeia (UE) tem a assinatura de dois arquitectos de topo portugueses reconhecidos internacionalmente.
Fernando Távora (1923-2005) e Álvaro Siza Vieira (nascido em 1933) são nomes cimeiros de duas gerações consecutivas de arquitectos da internacionalmente reconhecida "escola do Porto".
O novo edifício da Biblioteca Municipal da cidade, que acolhe a cimeira, foi desenhado por Álvaro Siza Vieira, um dos mais galardoados arquitectos a nível mundial, enquanto Fernando Távora, considerado o "pai" da escola de Arquitectura do Porto, projectou a praça central da frente ribeirinha de Viana do Castelo, onde se situa aquele equipamento.
Para esta praça está também projectado o Coliseu, desenhado por outro dos expoentes da "escola do Porto", Eduardo Souto Moura (1952), presentemente na fase de concurso público.
Esta nova praça inclui os edifícios administrativos desenhados por Fernando Távora, onde funcionará o Centro de Imprensa montado para receber as mais de três centenas de jornalistas que vão cobrir a cimeira informal cujo ponto central é a primeira avaliação política conjunta sobre a possibilidade de os 27 aprovarem rapidamente um novo Tratado Reformador da União Europeia.
As reuniões de trabalho dos MNE europeus terão lugar na Biblioteca Municipal, em cujo piso térreo funcionarão os gabinetes e os serviços de apoio à cimeira, nomeadamente os gabinetes destinados os contactos bilaterais entre as delegações.
No piso superior ficam as três salas principais, designadamente a Sala Luís de Camões (voltada ao rio), onde decorre a reunião plenária dos MNE.
Esta sala está apetrechada com uma mesa oval em bétula, com 32,5 metros de perímetro, executada pelo marceneiro José Simões, sob o projecto de Siza Vieira, encomendada pela Câmara Municipal para dar satisfação aos requisitos da reunião ministerial.
Na Sala José Saramago (voltada a poente), reunirão os correspondentes europeus dos 27 países (representantes pessoais dos MNE que estão em permanente contacto entre si), enquanto na Sala Fernando Pessoa (voltada ao centro histórico) fica a área de `coffee-break` e de contactos informais entre as delegações europeias.
O edifício da Biblioteca Municipal foi encomendado pela autarquia vianense para o espaço verde da frente ribeirinha da cidade, para que o local fique enquadrado com o rio e com o centro histórico de Viana do Castelo, garantindo a visibilidade para o rio pela construção sobrelevada do andar destinado às salas de leitura.
Iniciada em Janeiro de 2004 e concluída exteriormente em finais de 2006, a estrutura tem uma área total de 3.130 metros quadrados divididos por dois pisos.
Depois da cimeira, o edifício assumirá a sua função de biblioteca, ficando instalados no piso inferior os serviços técnicos, gabinetes de trabalho e de consulta de especialidade, áreas de depósito e de atendimento, reservando-se o primeiro andar às salas de leitura para adultos e crianças.
As salas têm luz natural graças às grandes janelas panorâmicas sobre o rio Lima, por um lado, e o centro histórico por outro, e aos lanternins (clarabóias) projectadas por Siza Vieira.
No período nocturno, as salas de leitura serão iluminadas por candeeiros anexados às estantes de livros, especialmente desenhadas para o efeito.
O edifício, construído em betão branco que recobre uma complexa estrutura em ferro com o embasamento (base até 1,5 metros de altura) em granito, custou cerca de quatro milhões de euros, valor a que se junta o custo do mobiliário, orçado em cerca de 550 mil euros.