Moonspell regressam com "Memorial" cor de "vermelho-sangue"

A mais internacional banda rock portuguesa, Moonspell, estreia quarta-feira ao vivo "Memorial", um álbum "épico e íntimo", em que os músicos despiram som e imagem até ao essencial, mas sem perder a "fantasia" que os caracteriza.

Agência LUSA /

O Hard Club, em Vila Nova de Gaia, será o palco para uma "noite Moonspell", que a banda entende como uma "prova de fogo" em que o novo álbum, editado segunda-feira, vai ser apresentado ao vivo a fãs, amigos e imprensa nacional e internacional.

Em entrevista à agência Lusa, o vocalista e letrista Fernando Ribeiro afirmou que, depois da experiência de parceria com o escritor José Luís Peixoto em "Antidote" (que tinha um "gémeo" no livro "Antídoto", editado simultaneamente), a banda quis dar a "Memorial" uma forma mais "despida", mas mantendo a "fantasia" própria da sua música.

O disco, com treze temas (e uma faixa extra na edição especial), vive de ritmos pesados, ancorados no heavy-metal e no rock gótico que há vários anos é a base do som dos Moonspell, apesar de outros discos mais "híbridos", como "Butterfly Effect", de 1998, virado para a electrónica e mais experimental.

Para Fernando Ribeiro, "Memorial" é um trabalho "cristalino", assente em canções simples e directas, mas decoradas com "arranjos mais complexos" do que no passado, num processo de composição que os Moonspell abordaram com "muita confiança" e que resulta num disco ao mesmo tempo "épico e íntimo".

Produzido na Alemanha com o habitual Waldemar Sorychta, "Memorial" revisita o tema do sangue, habitual no passado dos Moonspell, tanto em títulos como "Sanguine" como no grafismo, marcado pelo vermelho-sangue.

Ao longo de uma carreira com mais de dez anos, os Moonspell procuraram sempre criar entre si e com os ouvintes um sentimento "tribal", especialmente através de temas presentes nas letras, um dos quais o sangue, como metáfora para várias coisas: das relações amorosas à honra ou tradição.

Muito do sentimento da "tribo" e a maneira como é sentido é "inexplicável", admite Fernando Ribeiro, mas parte virá da identificação dos fãs com o que cada álbum lhes traz de novo, actualizando a relação que têm com a banda.

"A música dos Moonspell é exigente com os ouvintes, não é entretenimento nem tem nenhuma mensagem social", afirmou o vocalista, para quem o segredo de conquistar um fã, nem que seja durante o tempo que demora escutar um disco, é "falar ao coração das pessoas".

A internacionalização, meta de tantas bandas que nunca a atingiram, é para os Moonspell um dado adquirido há mais de dez anos, - desde o álbum "Wolfheart" - mas a banda continua a sentir-se essencialmente portuguesa.

Fernando Ribeiro entende a dimensão internacional dos Moonspell como "uma coisa normal", depois de numa primeira fase ter servido de "visto de credibilidade" para a banda ser aceite também em Portugal.

"Portugal é um país pequeno para qualquer banda. Temos um bocado a mania de devorar os nossos próprios filhos", acrescentou.

O sucesso "lá fora" não "inebria" a banda, que assume que a origem foi "uma mais valia", uma vez que lhes deu o carácter "étnico, a nível artístico", que distinguiu os Moonspell de outras bandas.

Apesar de só ter saído para as lojas na segunda-feira, "Memorial" foi revelado na Internet no mês passado, e muitas pessoas descarregaram-no ilegalmente, algo que a banda entende como "uma opção pessoal" mas que se trata de uma ameaça ao "lado romântico" de fazer música.

Os downloads ilegais revelam uma "vontade de vingança por parte do consumidor [em relação à indústria], mas quem sofre é o músico", considera Fernando Ribeiro.

"As editoras têm muitas bandas, se perdem de um lado podem ir buscar de outro", mas se os músicos não recebem algo em troca do seu trabalho de criação, não há condições para continuarem, afirmou.

Para Fernando Ribeiro, as editoras e os músicos "já estão a fazer um esforço" ao tentar "reduzir os preços, ao apostar em edições especiais", mas o público "é o que está com menos vontade", ao insistir em descarregar as músicas de graça.

Apesar do "deslize", a banda acredita que há suficiente "ansiedade" para receber um álbum novo dos Moonspell, que no dia 03 de Junho se vão estrear num concerto em Marrocos.

"Vai ser fantástico", prevê o músico, que rejeita uma mentalidade "nós contra eles" em relação aos muçulmanos, garantindo um "enorme respeito pela cultura árabe".

Para Fernando Ribeiro, os fãs de Marrocos "não são diferentes" dos portugueses ou dos naturais de países onde a sua música também chegou, como o Brunei, a Síria ou Cuba.

"O choque de civilizações não passa pela música e, para mais, o metal é transversal", concluiu.

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