Cultura
Morreu ator Robert Duvall, aos 95 anos
A carreira do ator e realizador norte-americano abrangeu quase sete décadas.
Considerado um dos maiores atores de todos os tempos, Robert Duvall recebeu um Óscar, um BAFTA, quatro Globos de Ouro, dois Primetime Emmy Awards e um Screen Actors Guild Award.
O falecimento ocorreu no domingo, mas só esta segunda-feira foi anunciado no Facebook pela sua quarta mulher, Luciana Pedraza, com quem esteve casado durante mais de 20 anos, após contracenarem em "Assassination Tango".
"Ontem, despedimo-nos do meu amado marido, querido amigo e um dos maiores atores da nossa era. O Bob faleceu em paz, em casa, rodeado de amor e conforto", escreveu.
"Para o mundo, ele era um ator vencedor de um Óscar, um realizador, um contador de histórias. Para mim, ele era simplesmente tudo", acrescentou.
"A sua paixão pela arte só era comparável ao seu profundo amor pelas personagens, por uma boa refeição e por receber visitas", revelou ainda.
"Em cada um dos seus muitos papéis, o Bob entregou-se completamente às suas personagens e à verdade do espírito humano que elas representavam. Ao fazê-lo, deixa algo duradouro e inesquecível para todos nós. Obrigada pelos anos de apoio que demonstraram ao Bob e por nos darem este tempo e privacidade para celebrar as memórias que ele deixa", concluiu Luciana, sem contudo revelar as causas da morte de Robert Duvall.
Discreto
Robert Duvall, ganhou um Óscar por “Tender Mercies” e foi nomeado pelos seus papéis em filmes como “O Padrinho”, “Apocalypse Now” e “O Grande Santini”. A forma como recorria ao naturalismo para representar influenciou toda uma geração de atores, desde Robert De Niro a Dustin Hoffman e Gene Hackman. Traço que marcou ingualmente filmes como "Network" e "O Apóstolo", que também realizou.
Mesmo sem ser uma estrela tão popular como De Niro, Robert Duval conseguiu o respeito tanto dos colegas como da crítica, pela sua capacidade discreta de encarnar as personangens que interpretava.
Dele se diz que foi foi um ator de atores. Foi nomeado sete vezes para os Óscares. Não descurou a televisão, tendo participado em séries como "Lonesome Dove" e "Broken Trail", recebendo um total de cinco nomeações para os Emmys e vencendo por duas vezes.
A sua carreira recebeu um impulso incontornável com "O Padrinho", de 1972, no qual interpretou o paciente e astuto
conselheiro Tom Hagen, papel que lhe valeu a sua primeira nomeação para
os Óscares.
Repetiu o papel de Hagen em "O Padrinho: Parte II", em 1974.
Atuou também em "A Conversação", de Coppola, e como Dr. Watson em "A
Solução de Sete Por Cento", de Herbert Ross.
Quase sete décadas
O primeiro papel de Robert Duvall no cinema, e um dos mais memoráveis, foi o assustador Boo Radley em "O Sol É Para Todos" (1962).
Quase sete décadas
O primeiro papel de Robert Duvall no cinema, e um dos mais memoráveis, foi o assustador Boo Radley em "O Sol É Para Todos" (1962).
Apesar do bom começo, a carreira de Duvall acabou por se consolidar apenas no início e meados da década de 70, pela sua capacidade de combinar a capacidade de interpretar personagens complexas com ocasionais e marcantes incursões em papéis maiores.
Em 1969, trabalhou com o jovem realizador Francis Ford Coppola no drama intimista "The Rain People", e no ano seguinte conseguiu o interessante papel de Frank Burns em "MASH", de Robert Altman. Protagonizou também o filme experimental "THX 1138", de George Lucas. O ator também fazia trabalhos interessantes no teatro.
Em 1969, trabalhou com o jovem realizador Francis Ford Coppola no drama intimista "The Rain People", e no ano seguinte conseguiu o interessante papel de Frank Burns em "MASH", de Robert Altman. Protagonizou também o filme experimental "THX 1138", de George Lucas. O ator também fazia trabalhos interessantes no teatro.
Em 1976, Duvall teve um papel memorável como um implacável executivo televisivo em "Network", e três anos mais tarde, como Coronel Kilgore, proferiu a memorável frase Adoro o cheiro de napalm pela manhã em "Apocalypse Now", de Coppola, conquistando a sua segunda nomeação para os Óscares.
Em 1977, juntou-se a Ulu Grosbard para levar "American Buffalo", de David Mamet, à Broadway, com críticas mistas. No mesmo ano, realizou um documentário rural chamado "We're Not Jet Set" e, no início dos anos 80, realizou o pequeno e perspicaz "Angelo, My Love".
Com "O Grande Santini", no qual interpretou a personagem-título, um pai impetuoso e militarista, consolidou finalmente a sua posição de protagonista no cinema, conquistando a sua primeira nomeação para o Óscar de melhor ator em 1980.
No ano seguinte, foi aclamado no Festival de Veneza pela sua prestação ao lado de Robert De Niro em "Confissões Verdadeiras". Em 1984, a sua prestação contida e detalhada em "A Força do Destino", escrito por Horton Foote e realizado por Bruce Beresford, valeu-lhe o Óscar de melhor ator.
Posteriormente recebeu frequentemente o crédito principal por papéis secundários ou co-protagonistas, como em “Um Homem Fora de Série”, “Colors”, “Dias de Trovão”, “Rambling Rose”, “Geronimo: Uma Lenda Americana” e “Impacto Profundo”.
Duvall recebeu uma atenção considerável pelo seu filme de 1997, “O Apóstolo”, que realizou e protagonizou. Foi nomeado para o Óscar de melhor ator pelo seu papel como um pastor mulherengo do Texas que precisa de recomeçar a vida após cometer um ato de violência. Nos 'Independent Spirit Awards', “O Apóstolo” arrecadou o prémio de melhor filme e Duvall recebeu duplas nomeações como ator e realizador.
Duvall recebeu uma nomeação para o Óscar de melhor ator secundário no ano seguinte pelo seu papel como um advogado brilhante, mas excêntrico, que é a némesis do advogado John Travolta no drama jurídico “A Civic Action”. Outros trabalhos incluem o filme de ação com Nicolas Cage, “60 Segundos”, e o thriller de ficção científica com Arnold Schwarzenegger, “O Sexto Dia”. Duvall participou no filme desportivo "A Shot at Glory", no qual tentou imitar um sotaque escocês, e no drama de reféns "John Q."
Escreveu, realizou e protagonizou o enigmático filme "Assassination Tango", de 2003, sobre um assassino contratado com tendências obsessivas que é enviado para a Argentina e se envolve com uma bailarina.
Regressou ao género western em "Open Range", de Kevin Costner, também em 2003.
Duvall recebeu uma atenção considerável pelo seu filme de 1997, “O Apóstolo”, que realizou e protagonizou. Foi nomeado para o Óscar de melhor ator pelo seu papel como um pastor mulherengo do Texas que precisa de recomeçar a vida após cometer um ato de violência. Nos 'Independent Spirit Awards', “O Apóstolo” arrecadou o prémio de melhor filme e Duvall recebeu duplas nomeações como ator e realizador.
Duvall recebeu uma nomeação para o Óscar de melhor ator secundário no ano seguinte pelo seu papel como um advogado brilhante, mas excêntrico, que é a némesis do advogado John Travolta no drama jurídico “A Civic Action”. Outros trabalhos incluem o filme de ação com Nicolas Cage, “60 Segundos”, e o thriller de ficção científica com Arnold Schwarzenegger, “O Sexto Dia”. Duvall participou no filme desportivo "A Shot at Glory", no qual tentou imitar um sotaque escocês, e no drama de reféns "John Q."
Escreveu, realizou e protagonizou o enigmático filme "Assassination Tango", de 2003, sobre um assassino contratado com tendências obsessivas que é enviado para a Argentina e se envolve com uma bailarina.
Regressou ao género western em "Open Range", de Kevin Costner, também em 2003.
De seguida, interpretou o General Robert E. Lee em "Gods and Generals" e protagonizou "Secondhand Lions", um filme independente no qual ele e Michael Caine contracenaram como dois excêntricos tios-avôs da jovem Haley Joel Osment.
Duvall foi um polícia resmungão em "We Own the Night", de James Gray, mas o ator divertiu-se a satirizar as suas personagens notoriamente ranzinzas em papéis menores em "Four Christmases" e na sátira de 2005 "Thank You for Smoking".
O ator não abrandou o ritmo à medida que se aproximava dos 80 anos.
Duvall foi um polícia resmungão em "We Own the Night", de James Gray, mas o ator divertiu-se a satirizar as suas personagens notoriamente ranzinzas em papéis menores em "Four Christmases" e na sátira de 2005 "Thank You for Smoking".
O ator não abrandou o ritmo à medida que se aproximava dos 80 anos.
Em 2009, participou em "A Estrada", de John Hillcoat; protagonizou o pequeno, mas aclamado, "Get Low", no qual interpretou um eremita barbudo [que é, para usar a expressão de Roger Ebert, "um velho astuto e brilhante"] e teve uma participação secundária e produziu "Coração Louco", que fez lembrar muitos de "Ternas Graças", de Duvall.
O ator reuniu-se com o argumentista de "Lonesome Dove", Bill Wittliff, para "Uma Noite no Velho México", de 2014.
O ator reuniu-se com o argumentista de "Lonesome Dove", Bill Wittliff, para "Uma Noite no Velho México", de 2014.
No mesmo ano protagonizou "O Juiz" como um juiz acusado de um atropelamento com fuga e defendido pelo filho (Robert Downey Jr.), que representa tudo o que despreza na lei. Duvall recebeu a sua sétima nomeação para os Óscares pelo seu trabalho no filme.
Em 2015, o primeiro trabalho de realização do ator desde "Assassination Tango" (2002), a ambiciosa longa-metragem independente "Wild Horses", estreou no SXSW.
Um dos seus últimos papéis no cinema foi em "The Pale Blue Eye", de Scott Cooper, em 2022.
Em 2015, o primeiro trabalho de realização do ator desde "Assassination Tango" (2002), a ambiciosa longa-metragem independente "Wild Horses", estreou no SXSW.
Um dos seus últimos papéis no cinema foi em "The Pale Blue Eye", de Scott Cooper, em 2022.
Uma vida dedicada aos palcos
Natural de San Diego, onde nasceu a 5 de janeiro de 1931, filho de um contra-almirante da Marinha, Duvall cresceu em vários pontos do país, mas principalmente em Annapolis, Maryland, sede da Academia Naval dos Estados Unidos.
Pais e professores foram instrumentais para que ele começasse a estudar teatro. Após se ter licenciado no Principia College e concluído o serviço militar, Duvall estudou com Sanford Meisner no Neighborhood Playhouse, em Nova Iorque. Convivia com amigos como Robert Morse, Hackman e Hoffman.
Uma apresentação única de "A View From the Bridge", de Arthur Miller, em 1957, dirigida por Grosbard, abriu caminho para trabalhos televisivos em "Naked City" e participações especiais em "The Defenders", "Armstrong Circle Theater", "The FBI" e outros programas.
Ao longo da década de 60, mesmo após o enorme sucesso de "O Sol É Para Todos", sustentou-se com papéis secundários em filmes como "Capitão Newman, M.D.", "A Perseguição", "O Detetive", "Bravura Indómita" e "Bullitt". E foi presença constante em westerns como "O Homem da Lei", "O Grande Ataque a Northfield, no Minnesota" e "Joe Kidd".
Mas também fez um grande trabalho no teatro em "A Profissão da Sra. Warren", "Chama-me Pelo Meu Nome", "Os Dias e Noites de Beebee Fenstermaker" e uma produção completa Off-Broadway de "A View From the Bridge" em 1965, contracenando com Jon Voight e Susan Anspach.
Ao longo da década de 60, mesmo após o enorme sucesso de "O Sol É Para Todos", sustentou-se com papéis secundários em filmes como "Capitão Newman, M.D.", "A Perseguição", "O Detetive", "Bravura Indómita" e "Bullitt". E foi presença constante em westerns como "O Homem da Lei", "O Grande Ataque a Northfield, no Minnesota" e "Joe Kidd".
Mas também fez um grande trabalho no teatro em "A Profissão da Sra. Warren", "Chama-me Pelo Meu Nome", "Os Dias e Noites de Beebee Fenstermaker" e uma produção completa Off-Broadway de "A View From the Bridge" em 1965, contracenando com Jon Voight e Susan Anspach.