Morreu Christa Wolf, a mais importante escritora da ex-RDA

Berlim, 01 dez (Lusa) -- A escritora Christa Wolf, considerada a maior romancista leste-alemã, morreu hoje num hospital de Berlim aos 82 anos após doença prolongada, anunciou a editora Suhrkamp-Verlag.

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Nascida em 1929 na Prússia Oriental (hoje território polaco), Wolf contribuiu para a afirmação de uma literatura própria na ex-República Democrática Alemã (a antiga RDA), com os seus primeiros romances "Notícias de Moscovo", o seu primeiro livro publicado em 1961, e "O céu partilhado" (1963), onde o sonho de uma nova sociedade se confunde com a emergência do ser individual.

O Presidente da Alemanha, Christian Wulff, sublinhou hoje, citado pela agência noticiosa AFP, que os seus livros "comoveram e entusiasmaram o nosso país, estimulando à reflexão".

"Para muitos leitores e leitoras, Christa Wolf era mais que uma romancista. Ainda acreditava, na sua atitude fora de moda e no entanto tão atual, no Bem e na capacidade de um ser humano melhor", acrescentou.

"Com a morte de Christa Wolf, a Alemanha perdeu um dos seus mais importantes autores contemporâneos", sublinhou por sua vez o ministro alemão da Cultura, Bernd Neumann, antes de qualificar os seus livros como "obras-primas de alto nível artístico".

Christa Wolf recebeu em 1980 o prémio Georg-Büchner, a mais importante distinção literária alemã, e por duas vezes o "Prémio nacional da RDA".

Em 1990 o então ministro francês da Cultura, Jack Lang, concedeu-lhe o grau de Oficial das Artes e das Letras.

Na década de 1990, as revelações dos media sobre os seus contactos com a Stasi (a política secreta da ex-RDA), no início da década de 1960, acabaram por degradar a sua imagem, forçando-a a um exílio temporário nos Estados Unidos.

Amiga de Gunther Grass, mãe de duas filhas, Christa Wolf era casada com o escritor Gerhard Wolf.

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