Morreu escritor André Schwartz-Bart, prémio Goncourt em 1959

O escritor francês André Schwartz-Bart, que alcançou fama literária em finais dos anos 50 com o livro sobre o Holocausto "O último dos justos", faleceu sábado, aos 78 anos, na ilha de Guadalupe, onde vivia, informou hoje a família.

Agência LUSA /

Nascido a 23 de Maio de 1928 em Metz, França, numa família polaca de origem judia que viria a ser dizimada na sequência da deportação de vários dos seus membros para os campos de extermínio nazis, André Schwartz-Bart viria a receber o Prémio Goncourt em 1959.

O galardão foi-lhe atribuído pelo livro "O último dos justos" (publicado em Portugal), que conta a história de uma família judia ao longo dos séculos e a tragédia que a atinge durante o Shoah (palavra em yiddish que significa Holocausto).

Em entrevistas, André Schwartz-Bart referia que o yiddish era a sua língua materna e que aprendeu a falar francês na escola e na rua.

A sua vida foi extremamente marcada pelo Holocausto e pela Segunda Guerra Mundial, durante a qual se envolveu na resistência francesa contra os nazis.

Com a mulher, originária da ilha francesa de Guadalupe, onde se instalou desde os anos 70, escreveu "Un plat de porc aux bananes vertes" (1967) e também um livro-enciclopédia: "Hommage a la femme noire".

Em Guadalupe foi muito influenciado pela temática da escravatura, que se converteu num dos tópicos centrais da sua obra, nomeadamente em "La mulatresse solitude" (1972).

A escravatura foi abolida pela primeira vez na ilha em 1794, restabelecida em 1802 e definitivamente abolida em 1848.

Numa das suas últimas intervenções públicas, no ano passado, Schwarz-Bart assinou um manifesto de intelectuais dirigido a responsáveis políticos de Guadalupe, em que se denunciava o clima de rejeição e xenofobia que se estava a gerar na ilha contra muitos estrangeiros que para ali vão viver, especialmente haitianos.

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