Morreu Mário Ventura Henriques

Mário Ventura Henriques, falecido hoje com 70 a nos, acumulou o trabalho de jornalista com a escrita de ficção e uma paixão pelo cinema que o levou a criar, em 1985, o Festroia - Festival Internacional de Cinema.

Agência LUSA /

Nascido em Lisboa em 1936, Mário Ventura Henriques estreou-se na ficção em 1963 com "A Noite da Vergonha", primeiro livro de uma obra que somou cerca de dezena e meia de títulos em vários estilos, do romance ao conto, do memorialis mo à narrativa.

Em 1966 publicou "à Sombra das Árvores Mortas", dois anos depois "O Despojo dos Insensatos" e em seguida reuniu nos volumes "Alentejo Desencantado" (1969) e "Morrer em Portugal" (1976) narrativas sobre várias regiões do país.

Regressando ao romance em 1979 com "Outro Tempo Outra Cidade", o jornalista e escritor publicou seis anos depois "Vida e Morte dos Santiagos", que venceu o Prémio de Ficção do Pen Clube e o Prémio Literário do Município de Lisboa.

Em 1986 nasceu a colectânea de diálogos com escritores "Conversas", enquanto "Março Desavindo", sobre um episódio ocorrido num momento acesso da revolução portuguesa, apareceu em 1987, surgindo "Évora e os Dias da Guerra", título que arrebatou novo prémio do Pen Clube, em 1992.

Mário Ventura cobriu em 1997, com "A Revolta dos Herdeiros", três décadas da realidade portuguesa, antes e depois do 25 de Abril.

Em 1999 lançou "O Segredo de Miguel Zuzarte", enquanto em 2001 editou o seu primeiro livro de memórias, "Quarto Crescente", e o álbum "Portugal - Geografia do Fatalismo", uma antologia de textos sobre a paisagem humana portuguesa com fotos de João Francisco Vilhena.

Seguiram-se "Atravessando o Deserto" (2002) e, no ano seguinte, uma reedição de "A Noite da Vergonha", para assinalar os 40 anos de vida literária do escritor.

O último romance a ser lançado foi "O Reino Encantado", publicado em 2005 e que tem por base um caso verídico: um movimento sebastianista no Brasil de Oitocentos. No mesmo ano, a editora Casa das Letras reeditou "Vida e Morte dos Santiagos" para assinalar os 20 anos da obra.

Como jornalista, Mário Ventura Henriques passou pelo Diário Popular e Diário de Notícias, pertenceu ao conselho de redacção da revista Seara Nova, foi director do semanário Extra e chefiou a agência noticiosa Europa Press.

A partir de 1968 foi correspondente da imprensa espanhola, função que abandonou em meados da década de 90, tendo chegado a dirigir a edição portuguesa da Cambio 16.

Presidente da Associação Portuguesa de Escritores no início da década de noventa, Mário Ventura Henriques ficou conhecido também como mentor e presidente do Festival Internacional de Cinema Festroia.

O corpo de Mário Ventura será trasladado hoje à tarde para a igreja de S. Paulo, em Setúbal, de onde sairá o funeral no sábado, para o cemitério de Nossa Senhora da Piedade, na mesma cidade.

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