Morreu o artista plástico moçambicano Ídasse Tembe
O artista plástico moçambicano Ídasse Tembe morreu hoje, avançou o Núcleo de Arte, coletivo que congrega os artistas plásticos nacionais, referindo que se calou uma voz que inspirou gerações com a sua generosidade.
Em comunicado, a associação Núcleo de Artes confirmou a morte do artista plástico Ídasse Ekson Malendza Tembe, de nome artístico Ídasse, sem avançar as causas da morte.
"Hoje não perdemos apenas um artista, perdemos um dos nossos pilares. Foi mestre, foi conselheiro, foi amigo, foi irmão. A sua obra ficará nas telas, mas o seu maior legado está nas pessoas que ele formou e inspirou com a sua generosidade", lê-se na nota de pesar do coletivo, destacando o seu percurso artístico.
Após tornada pública a sua morte, muitos artistas moçambicanos, ativistas, políticos, entre outros, divulgaram mensagens de pesar pela morte do artista.
A Fundação Fernando Leite Couto lamentou a morte de Ídasse: "a sua partida representa uma perda para a arte e cultura moçambicana. Ao longo do seu percurso, Ídasse afirmou-se através de uma obra singular, contribuindo para a renovação e valorização das artes visuais no país".
O Camões -- Centro Cultural Português em Maputo também manifestou profundo pesar pelo falecimento do artista, afirmando que morreu uma das figuras de referência das artes visuais contemporâneas de Moçambique.
"Ao longo do seu percurso artístico, Ídasse manteve uma relação próxima com o Camões -- Centro Cultural Português, onde apresentou o seu trabalho em exposições e participou em diversas atividades culturais promovidas pela instituição. Entre as suas participações, destacam-se a exposição individual `Mãos e Gestos`, realizada em 1998, e a participação na exposição coletiva `Sinais`, em 2024", lê-se na nota de pesar do Camões.
Ídasse nasceu em 01 de julho de 1955, no vale de Infulene, na província de Maputo, sul de Moçambique, e ao longo da sua vida dedicou-se ao desenho, pintura e cerâmica, com participação em exposições nacionais e internacionais, e com coleções públicas e particulares, incluindo no Museu Nacional de Arte de Moçambique.
A sua obra encontra-se espalhada em várias coleções em Moçambique e em países como a Nigéria, África do Sul, França, Portugal, Espanha, Estados Unidos de América, Itália, Dinamarca, Japão, Áustria, Suécia e Brasil.
Estudou artes na então Escola Secundária Manuel Sena e, em 1979, frequentou o Curso de Animador Cultural, no então Centro de Estudos Culturais, onde teve contacto com referências como Malangatana e Domingos Manhiça. Mais tarde, sob orientação de António Quadros (pintor de nacionalidade portuguesa que viveu em Moçambique), completou formação em Comunicação Gráfica.
Ídasse Tembe trabalhou no Instituto Nacional de Cinema, onde esteve ligado à criação do departamento de arte. Era membro da Associação Moçambicana de Fotografia e da Associação de Escritores Moçambicanos; integrou a revista "Charrua" e, da relação com os escritores da sua geração, ilustrou obras de nomes como Marcelo Panguana, Eduardo White, Juvenal Bucuane, Luís Carlos Patraquim, entre outros.
Em 1982, passou a dedicar-se exclusivamente às artes plásticas, consolidando uma carreira que o tornou uma referência para diferentes gerações de artistas moçambicanos.
Para além da produção artística, destacou-se também pelo papel de mestre e formador, contribuindo para a transmissão de conhecimentos e para o desenvolvimento das artes visuais no país.