Morreu o cartoonista Augusto Cid

| Cultura

Augusto Cid tinha vindo a dedicar-se, nos últimos anos, à escultura
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Augusto Cid notabilizou-se como autor de caricaturas que frequentemente tomaram como alvo os protagonistas da Revolução dos Cravos. Morreu esta quinta-feira, aos 77 anos de idade.

Entre as figuras flageladas pelo seu traço cáustico contavam-se o dirigente comunista Álvaro Cunhal, o primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão e o presidente da República António Ramalho Eanes.

Dois dos livros centrados em Ramalho Eanes chegaram mesmo a ser apreendidos. Dedicou especial atenção à polémica sobre o caso de Camarate, em que perderam a vida, entre outros, o primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e o ministro Adelino Amaro da Costa.

Augusto Cid publicou colaborações regulares em diversos periódicos, incluindo "Diário de Lisboa", "O Século", "Vida Mundial", "O Jornal Novo", e depois os mais marcadamente à direita, como "Povo Livre", "O Dia", "Semanário", "O Independente", e mesmo "O Diabo"  e mais recentemente "Sol".

O autor conta com mais de 30 títulos publicados, alguns com edições de autor. Da sua bibliografia fazem parte, entre outros, "Que se passa na frente", "PREC - Processo Revolucionário Eventualmente Chocante", "O Último Tarzan", "Demito-me uma Ova", "Agarra, Mas Não Abuses", "Alto Cão Traste", "O Produto Interno Brito", "Porreiro, Pá" e "Soares é Fish".

Em junho de 1999 foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique (grau comendador), pelo Presidente Jorge Sampaio, que, no prefácio de "Cid, O Cavaleiro do Cartoon", se confessou "admirador do seu trabalho", no qual reconhecia "uma forte componente política" e um "inconfundível e inteligente traço", com "comentários certeiros sobre a atualidade".

Augusto Cid tinha vindo a dedicar-se especialmente nos últimos anos à escultura, tendo um obra instalada no cruzamento das avenidas de Roma e Estados Unidos da América, em Lisboa, e uma outra, no Restelo, que foi inaugurada em 2016 pelo presidente da República.

Nascido em novembro de 1941, na cidade da Horta, na ilha do Faial, Açores, Augusto José de Matos Sobral Cid fez os estudos secundários no Colégio Moderno, em Lisboa, seguindo para os Estados Unidos, de onde regressou, para frequentar o curso de Escultura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.

c/Lusa

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