Morreu o cineasta Patricio Guzmán, realizador de "A Batalha do Chile" e "Nostalgia de Luz"

Morreu o cineasta Patricio Guzmán, realizador de "A Batalha do Chile" e "Nostalgia de Luz"

O cineasta chileno Patricio Guzmán, realizador de documentários como "Nostalgia da Luz" e "O Botão de Nacar", morreu hoje, em Paris, aos 85 anos, anunciou a Academia de Cinema do Chile.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Morre aos 85 anos, em Paris, cineasta chileno Patricio Guzmán | Foto: AFP

Mestre do cinema documental, como era considerado pelos seus pares, Guzmán vivia em França há mais de quatro décadas, tendo dirigiu mais de duas dezenas de filmes, na sua maioria documentários, entre os quais "A Batalha do Chile" (1975-1979), trilogia que retrata os anos do governo de Unidade Popular (1970-1973) do seu país de origem, e a desestabilização política que culminou no golpe de Estado contra o ex-presidente Salvador Allende (1908-1973) e a subida ao poder de Augusto Pinochet.

O filme, que Guzmán teve de retirar clandestinamente do Chile, com a instituição da ditadura militar (1973-1990), tornou-se o documentário latino-americano mais difundido da história e uma obra de referência do documentário político a nível global, destaca a agência Efe.

A sobrevivência desta trilogia, composta pelos filmes "A Insurreição da Burguesia" (1975), "O Golpe de Estado" (1976) e "Poder Popular" (1979), teve o apoio do cineasta francês Chris Marker, realizador de "La Jetée", que ajudou a reunir na Europa o material filmado por Guzmán, apoiou a montagem e distribuição da obra.

A trilogia "A Batalha do Chile" é vista como "a jóia da coroa" de uma filmografia de 25 títulos, como hoje destaca Efe, a par de filmes como "Nostalgia da Luz" (2010), obra com que Guzmán conquistou reconhecimento mundial e vários prémios.

O cineasta chileno dedicou-se ao documentário, após um início de carreira marcado por colaborações com o instituto de cinema da Universidade Católica do Chile e pela realização da curta-metragem "Viva a Liberdade" (1965), animação que utiliza a metáfora de um jardim zoológico para representar uma prisão.

"O Primeiro Ano" (1972), que retrata o início do governo de Salvador Allende, marca a estreia de Guzmán na longa-metragem e abre caminho a "A Batalha do Chile".

"Nostalgia da Luz", filmado no Deserto de Atacama, no norte do Chile, conjuga o olhar dos astrónomos que procuram as origens do universo à busca dos restos mortais de desaparecidos durante a ditadura, pelas mulheres de Calama.

Esta obra foi complementada por "O Botão de Nácar" (2015), vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, e "A Cordilheira dos Sonhos" (2019), com que venceu o Goya de Melhor Filme Ibero-Americano assim como L`Oeil d`Or do Festival de Cannes. Os dois filmes refletem sobre a memória, a ditadura chilena, o impacto nas famílias, a partir da natureza do território.

Durante o exílio em Espanha e França, Guzmán realizou documentários como "Em Nome de Deus" (1987), que aborda o papel da Igreja Católica chilena na fase final da ditadura, "A Memória Obstinada" (1997), "O Caso Pinochet" (2001) e "Salvador Allende" (2004).

Os seus filmes foram apresentados em Portugal em festivais como o DocLisboa e IndieLisboa, em mostras de cinema e têm tido distribuição em sala como "Nostalgia da Luz", "Botão de Nacar" e "A Cordilheira dos Sonhos" (disponível na plataforma Filmin), assim como edição em DVD.

"Meu País Imaginário" (2022), a derradeira longa-metragem de Patricio Guzmán, tem estreia portuguesa marcada para 15 de outubro, pela distribuidora Midas Filmes.

Esta obra mergulha na explosão social ocorrida no Chile em 2019 e na proposta de alteração da Constituição chilena herdada da ditadura de Pinochet, discutida durante o governo do ex-presidente Gabriel Boric (2022-2026).

Em 2023, Guzmán recebeu o Prémio Nacional de Artes Cénicas e Audiovisuais do Chile. Entre as principais distinções do cineasta contam-se o Urso de Prata do Festival de Berlim e os prémios de Melhor Documentário no Festival de Cannes e do Cinema Europeu.

 

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