Morreu o escritor Aimé Césaire
Paris, 17 Abr (Lusa) - O poeta Aimé Césaire, natural da Martinica, morreu hoje aos 94 anos num hospital em Fort-de-France, onde estava hospitalizado há cerca de uma semana devido a problemas cardíacos.
Aimé Césaire foi um dos fundadores do Movimento Negritude, criado depois da II Guerra Mundial e que agregou escritores negros francófonos, entre os quais o senegalês Léopold Sédar Senghor.
O movimento emergiu da revista dos estudantes de Martinica "O Estudante Negro", que reivindicava a identidade negra e a sua cultura contra a opressão cultural colonialista francesa.
Além de poesia, Aimé Césaire tem uma vasta obra publicada nas áreas do teatro, ensaio e história.
Em Portugal estão publicadas, entre outras, as obras "Discurso sobre o colonialismo" (1978) e "E os cães deixaram de ladrar" (1975).
Neto do primeiro professor negro de Martinica, o escritor também abraçou a carreira política: foi presidente da Câmara de Fort-de-France durante 56 anos (1945-2001) e deputado (1945-1993).
Natural de Basse-Pointe, onde nasceu a 26 de Junho de 1913, Aimé Césaire foi estudar aos 18 anos para Paris, cidade onde veio a conhecer o amigo Léopold Sédar Senghor, poeta e político senegalês (1906-2001) que se tornou o primeiro presidente do Senegal (1960-1980).
Aimé Césaire regressou à Martinica, ilha das Antilhas francesas, aos 26 anos para dar aulas.
Enquanto presidente da autarquia de Fort-de-France deu prioridade aos sectores da habitação, ensino e higiene e limpeza.
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