morte de Luiz Pacheco foi "perda irrecuperável", diz João Pedro George

Lisboa, 06 Jan (Lusa) - A morte do escritor e crítico literário Luiz Pacheco constitui "uma perda irrecuperável", disse hoje à agência Lusa o professor universitário João Pedro George, que considerou o escritor um "tipo humano singular e irrepetível".

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Em declarações à agência Lusa, João Pedro George - que está a fazer a tese de doutoramento sobre a biografia do escritor e crítico literário - disse lamentar "imenso" a morte de Luiz Pacheco, que considerava um "amigo pessoal", um "tipo humano singular e irrepetível" e não "um exemplar em série como acontece normalmente".

Luiz Pacheco, que chegou a ser conhecido como "um escritor maldito", fez da crítica a maneira de estar na literatura e da literatura o estar, referiu.

"Sinto a morte de Luiz Pacheco de uma forma muito profunda, já que o considerava um amigo pessoal e é quase como se o conhecesse intimamente", acrescentou João Pedro George.

A nível literário, João Pedro George considerou que com o desaparecimento de Luiz Pacheco "se perde um escritor como não voltará a existir outro".

Sublinhou ainda que o projecto literário de Luiz Pacheco foi "indissociável" da sua vida, razão por que é difícil perceber um sem que se entenda a outra.

"Era uma personalidade que poderíamos considerar excêntrica, que sempre que abria a boca nunca se sabia o que ia dizer, mas era um ser humano único", frisou.

João Pedro George acrescentou que há "vários anos" que estuda a vida e obra de Luiz Pacheco, pelo que a vida do escritor tem "estado quase diariamente presente" na sua vida nos últimos anos.

"O crocodilo que voa" é o título do livro de João Pedro George, que sairá ainda este mês pela Tinta da China e que reúne as últimas entrevistas dadas por Luiz Pacheco.

Luiz Pacheco nasceu em Lisboa a 07 de Maio de 1925 e morreu sábado no Hospital do Montijo.

Frequentou o curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, em 1945 começou a publicar textos em vários jornais e revistas e em 1950 fundou a editora Contraponto, que publicou pela primeira vez Mário Cesariny e António Maria Lisboa.

Raul Leal, Natália Correia e Vergílio Ferreira foram outros dos escritores publicados pela Contraponto.

"Textos de Guerrilha", "Textos do Barro", "O Teodolito", "A comunidade" e "O libertino passeia por Braga a idólatra o seu esplendor" são algumas das obras de Luiz Pacheco.

CP.

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