Morte de Mário Zambujal. Ministra da Cultura destaca "inspiração para várias gerações"
A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, considerou o jornaliste e escritor "excecional e talentoso" Mário Zambujal, que morreu hoje aos 90 anos, "uma inspiração para várias gerações".
Numa publicação partilhada nas redes sociais, Margarida Balseiro Lopes escreveu: "Morreu Mário Zambujal, escritor excecional e talentoso, uma inspiração para várias gerações. Além da literatura, também deixou uma distinta marca criativa no jornalismo, na rádio e na televisão".
Na publicação, a governante deixa, "à família, amigos e leitores, sentidas condolências".
O escritor e jornalista Mário Zambujal, estreou-se nos livros com "Crónica dos Bons Malandros", em 1980, quando era o conhecido `pivot` do "Domingo Desportivo" da RTP1.
Na altura já somava anos de jornalismo. Foi chefe de redação d`O Século, dirigiu o Mundo Desportivo, pertenceu aos quadros d`A Bola, do Diário de Lisboa e do Diário de Notícias, foi o primeiro diretor do semanário Se7e.
Trabalhou no semanário O Jornal, foi subdiretor do Record e diretor interino do Tal & Qual, além de ter passado por quase todas as redações que então se concentravam no eixo Bairro Alto - Avenida da Liberdade. No Diário de Lisboa, esteve com Luís de Sttau Monteiro na edição do suplemento semanal A Mosca. Foi colunista no diário 24 Horas. Dirigiu o Jornal Sénior, publicado entre 2013 e 2014.
A partir de 1980, fez parte da equipa do programa humorístico "Pão com Manteiga", na Rádio Comercial.
Na televisão, sempre na RTP, além de "Domingo Desportivo", "Grande Encontro" e "Grande Área", no desporto, Mário Zambujal foi também responsável por programas como "Quem conta um conto", "Fim de Semana", "A Semana que Vem", e autor e coautor de guiões de séries como "Lá em Casa Tudo Bem" (1987), com Raul Solnado e Artur Couto e Santos, "Isto é o Agildo" (1995), com o humorista brasileiro Agildo Ribeiro, "Nós os Ricos" (1996) e "Os Imparáveis" (1996).
Depois de "Crónica dos Bons Malandros", que inspirou o filme homónimo de Fernando Lopes, uma série de televisão e um musical, a produção literária, nunca parou.
A sua bibliografia inclui "Histórias do Fim da Rua" (1983), "À Noite Logo se Vê" (1986), "Fora de Mão" (2003), "Primeiro as Senhoras" (2006), "Já não se Escrevem Cartas de Amor" (2008), "Uma Noite não são Dias" (2009), "Dama de Espadas" (2010), "Longe não é um Bom Lugar"(2011), "Cafuné" (2012), "O Diário Oculto de Nora Rute" (2013), "Serpentina" (2014), "Talismã -- A Desordem Natural das Coisas" (2015), "Romão e Juliana" (2016), "Então, Boa Noite" (2018), "Rodopio" (2019), "Fabíolo" (2021), "Pirueta" (2022), "Fora de Mão" (2023).
Foi coautor das paródias "O Código D`Avintes" e "Os Novos Mistérios de Sintra", com Alice Vieira, João Aguiar, José Fanha, José Jorge Letria, Luísa Beltrão, Rosa Lobato de Faria.
No final de 2025, publicou "O Último a Sair", um "policial desatinado", como o autor o definiu, num volume que inclui outra ficção, uma história de amor e rivalidade entre dois bairros, e o seu `fac-simile`: "Conto Final. Parágrafo".
Em 2020, o festival literário Escritaria, em Penafiel, homenageou-o e à sua obra.
Numa entrevista ao semanário Expresso, em 2009, disse: "A palavra de que mais gosto é liberdade. E a minha liberdade é poder fazer em cada momento aquilo que me apetece".