Mosteiro de Santa Clara-a-Velha de Coimbra sensível a vibrações de som
Coimbra, 13 jun (Lusa) -- O relatório sobre medições de vibrações no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, aponta para a necessidade de limitação dos níveis sonoros produzidos no interior do monumento e na área exterior que lhe fica próxima.
Os níveis sonoros excessivos podem ter impacto nos "elementos construtivos da igreja do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha", afirma o relatório sobre medições de vibrações, efetuadas pela Associação para o Desenvolvimento da Engenharia Civil, designadamente durante a última Queima das Fitas de Coimbra, que decorreu entre 03 e 10 de maio.
Deve haver "limitação de níveis sonoros produzidos no interior do Mosteiro, nomeadamente em espetáculos de música", sublinha o documento, subscrito por Diogo Mateus e Telmo Dias Pereira, "interditando" mesmo "os que possam ter forte amplificação com recurso a difusores" (colunas de som), com "elevada potência sonora em baixas frequências", com por exemplo, com "colunas de `subgraves`".
Os autores do estudo, encomendado pela Direção Regional de Cultura do Centro (DRCC), propõem, por outro lado, que os responsáveis pela organização de eventos na Praça da Canção condicionem "a utilização de difusores", com "elevadíssima capacidade de emissão em frequências muito baixas, como "o que se verificou no concerto da noite de 08 para 09 de Maio", nas Noites do Parque da edição deste ano da Queima das Fitas.
Naquela noite, entre as 02:00 e as 04:00, "o nível sonoro contínuo equivalente registado sobre a cobertura do Mosteiro" atingiu níveis, que "por si só" já são muito elevados, salienta o documento, hoje divulgado pela responsável da DRCC, Celeste Amaro, durante uma conferência de imprensa.
Além das "vibrações ao nível do Mosteiro, este tipo de ambientes ruidosos são extremamente nefastos, quer para a saúde de quem assiste ou participa no espetáculo, quer para a saúde humana e bem-estar da população vizinha", adverte o relatório.
O relatório alerta ainda a Câmara de Coimbra e outros responsáveis pela organização de espetáculos de fogo-de-artifício "na vizinhança do Mosteiro, nomeadamente sobre o Rio Mondego", para a necessidade de não serem usadas "cargas explosivas superiores às utilizadas na última noite das Noites do Parque, da Queima das Fitas de 2013".
As cargas utilizadas em fogo-de-artifício devem ser averiguadas, para que "se possa estabelecer um limite quantificável", conclui o documento, sublinhando que, "naturalmente, o mais relevante será a limitação da carga média utilizada por unidade de tempo" (por exemplo, quilograma por minuto de fogo) e a "carga máxima aplicada em cada foguete".
O estudo aconselha também a realização de "inspeções regulares e detalhadas a toda a envolvente interior do Mosteiro, bem como a outros elementos construtivos interiores, de forma a identificar eventuais situações de maior fragilidade (elementos suspensos, extremidade ou fissurados) e prevenir eventuais acidentes, como o que se verificou em 12 de outubro de 2012".
Naquela data, ocorreu "o desprendimento do escudo e parte da nervura, grampeados à abóbada da igreja" do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, por motivos não determinados, e na sequência do qual foi elaborado este estudo.
Sobre este relatório, Celeste Amaro diz que se deve compatibilizar o "orgulho" que existe com a Queima das Fitas com o "orgulho" de a cidade ter um monumento como Santa Clara-a-Velha que, ainda este ano, ganhou o prémio de melhor espaço de eventos em Portugal atribuído pela Publituris.