Mostra de cinema AMPLA abre a espetadores especiais

Dezasseis filmes recentes, premiados em festivais portugueses, vão ser exibidos a partir desta sexta-feira na mostra de cinema inclusivo AMPLA, na Culturgest, em Lisboa, pensada para espectadores com necessidades específicas.

Lusa /
AMPLA mostra três dias de cinema a pensar em espectadores com necessidades específicas D.R.

Esta é a segunda edição da AMPLA, uma iniciativa que promove a acessibilidade no acesso ao cinema, uma vez que todas as sessões contam com interpretação em língua gestual portuguesa, audiodescrição e legendas descritivas.

Até domingo, o programa conta com 16 filmes, entre curtas e longas-metragens, premiados em 2022 em festivais portugueses, como “Cesária Évora”, de Ana Sofia Fonseca, “Um caroço de abacate”, de Ary Zara, e as animações “Ice Merchants”, de João Gonzalez, e “O homem do lixo”, de Laura Gonçalves. 

Depois da primeira edição da Ampla, que teve uma ótima adesão por parte do público, percebemos que continuava a existir um longo caminho a percorrer no que respeita à acessibilidade na cultura, sendo que o nosso propósito com o evento permanecia atual. Acreditamos, desde o primeiro dia, que todas as pessoas devem ter a mesma oportunidade de acesso ao cinema, ou a qualquer outra arte, sem que ninguém fique de fora, pois esse é um direito de todos. 

Nessa lógica, queremos assegurar, a quem visite esta segunda edição da mostra, uma oferta de qualidade, diversificada e atual, mas também que ofereça o melhor de cada filme, nas melhores condições, afirma Rita Gonzalez, fundadora e produtora executiva de cinema.

No primeiro dia da mostra, 3 de março, um dos destaques é o filme “Cesária Évora”, com início às 21h00. Este é um documentário intimista que oferece um retrato da própria a partir de testemunhos únicos, tendo conquistado o Prémio do Público de Melhor Longa-Metragem no festival IndieLisboa.

No sábado, dia 4 de março, às 15h00, terá lugar uma sessão composta por um conjunto de curtas-metragens, onde se inclui, entre outras, a animação “Ice Merchants”, primeiro filme português nomeado para os Óscares, e que conta a história de um pai e de um filho que todos os dias têm de saltar de paraquedas para se deslocarem à aldeia mais próxima, onde vendem o gelo que produzem durante a noite. 

Já às 21h00, os mais destemidos poderão assistir a dois filmes premiados no festival MotelX: Censor of Dreams, uma produção de terror que venceu o prémio de Melhor Curta de Terror Europeia e Deadstream, um filme sobre o vlogger Shawn Ruddy que decide passar uma noite sozinho numa casa assombrada, vencedor do prémio do Público.

A mostra encerra com a longa-metragem “Mato Seco em Chamas”, filme-choque no último festival de Berlim, vencedor do IndieLisboa, conseguindo a proeza de conquistar o prémio da competição nacional e internacional. O filme conta a história das Gasolineiras de Kebradas, tal como ecoa pelas paredes da Colméia, a Prisão Feminina de Brasília, no Brasil.


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