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Movimento de alunos de Évora recusa nova votação para referendo sobre garraiada

Movimento de alunos de Évora recusa nova votação para referendo sobre garraiada

Um movimento de estudantes da Universidade de Évora (UÉ) recusa a necessidade de uma assembleia magna para votar, novamente, a realização de um referendo sobre a garraiada na Queima das Fitas, alegando que "a decisão está tomada".

Lusa /

"A decisão está tomada e não faz sentido haver uma assembleia magna extraordinária, muito menos movida por um partido político", afirmou hoje à agência Lusa Afonso Melara, porta-voz do recém-criado movimento "Estudantes por Évora" e aluno de turismo.

Na assembleia magna de terça-feira à noite, que se prolongou pela madrugada de quarta-feira foram registados "124 votos contra o referendo e 117 a favor", segundo a presidente da Associação Académica da Universidade de Évora (AAUE), Ana Rita Silva.

A dirigente estudantil disse à Lusa que tinha ficado decidido em assembleia magna que "o referendo não irá ser realizado", pelo que o espetáculo tauromáquico irá permanecer no programa da Queima das Fitas.

Afonso Melara referiu que "elementos do PAN (partido Pessoas-Animais-Natureza) convocaram um grupo de alunos da UÉ" e que estão agora "a realizar iniciativas para fazer uma nova assembleia e, de certa forma, inverter a primeira decisão dos estudantes".

"Não faz sentido um partido político estar a tentar intervir na academia", realçou, considerando que "a universidade é um espaço livre e deve ser completamente desassociado de qualquer referência ou intervenção política".

O porta-voz do movimento defendeu que a votação para a realização do referendo sobre a garraiada académica foi "um processo democrático, que foi mais do que divulgado", assinalando que esta assembleia magna foi "muito participada".

O estudante indicou que o movimento "Estudantes por Évora" foi criado para "defender a voz dos alunos e a decisão democrática que se registou" na última assembleia magna de alunos e contra "as imposições políticas que se seguiram" à reunião.

Afonso Melara adiantou que "os núcleos de estudantes de agronomia e zootecnia já entraram em contacto com a direção da AAUE e já se organizaram entre eles para organizarem a garraiada académica, tal como ficou decidido".

Um outro grupo de alunos da UÉ está a recolher assinaturas para convocar uma assembleia magna de estudantes que vote, novamente, a realização de um referendo sobre a continuidade da garraiada na Queima das Fitas.

Para a convocação de uma assembleia magna de estudantes da UÉ extraordinária são necessárias as assinaturas de 10% dos cerca de 7.500 alunos da academia.

A Queima das Fitas em Évora vai ter lugar este ano de 25 de maio a 02 de junho, mas a garraiada ainda não tem data de realização prevista.

A atual direção da associação académica decidiu incluir a realização do referendo sobre a garraiada na ordem de trabalhos desta assembleia magna para lançar a discussão sobre o assunto, aproveitando o referendo realizado sobre este tema na Universidade de Coimbra, a 13 de março.

No referendo, os alunos da Universidade de Coimbra decidiram acabar com a garraiada na Queima das Fitas. À pergunta "Deve o evento garraiada continuar no programa oficial da Queima das Fitas?", 70,7% dos estudantes que participaram no referendo responderam "Não" e 26,7% "Sim".

O Conselho de Veteranos daquela academia decidiu que a garraiada permaneceria na Queima das Fitas, indo assim contra o resultado do referendo, mas a decisão foi considerada nula.

Já esta segunda-feira, o Conselho de Veteranos aprovou, em reunião, a decisão de acabar com a garraiada na Queima das Fitas.

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