Mozart continua popular e actual 250 anos após o seu nascimento
O compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart nasceu há 250 anos e morreu novo, mas a sua vasta obra continua a ser interpretada e os especialistas ainda a consideram actual e popular.
"A obra de Mozart é intemporal, porque a grande arte não tem tempo, não está presa à actualidade", afirmou o maestro António Victorino D`Almeida à Agência Lusa, considerando ainda que o filme "Amadeus", que Milos Forman realizou em 1984, ajudou a divulgar a figura do génio.
"Embora em termos históricos o filme quase não tenha relação com o que se sabe ser a verdade sobre Mozart, `Amadeus` contribuiu muito para popularizar o compositor", afirmou ainda Victorino D`Almeida.
"Há cerca de cinco anos, uma estatística mostrou que o músico que ganhava mais dinheiro em direitos de autor era Paul McCartney, porque a cada minuto uma música dele era tocada algures no mundo, e revelou também que, se Mozart estivesse vivo e a receber direitos de autor, era 60 vezes mais rico do que o ex-Beatle, já que os seus temas são tocados a cada segundo que passa", recordou ainda o maestro.
Para António Victorino D`Almeida, a criação de Mozart "é inexplicável, prodigiosa", pois, em apenas 35 anos de vida, "criou tantas e tão boas obras que é impossível escolher apenas meia dúzia de favoritas".
Também o pianista Jorge Moyano, que este ano vai acompanhar a efeméride do 250º aniversário de Mozart, enalteceu uma obra que disse ter "sobrevivido à passagem do tempo devido às características das suas linhas melódicas e à sua perfeição e equilíbrio formal".
"A música de Mozart continua actual e a prova disso é que as salas continuam a encher quando as suas peças são interpretadas, existindo temas que todos conhecem, que fazem parte de um património comum", afirmou também Moyano.
O pianista, que este ano tem vários concertos em Portugal no âmbito da efeméride, vai deslocar-se a Tóquio na primeira semana de Maio para dois concertos com obras de Mozart, no âmbito da Festa da Música do Japão, este ano dedicada ao compositor austríaco.
As celebrações, que se vão estender ao longo de 2006, têm particular relevo na Áustria, pátria do compositor, mas há dezenas de países no mundo que resolveram associar-se e, em Portugal, do Teatro Municipal São Luiz à Cinemateca, são várias as entidades a participar.
Na sexta-feira, o exacto dia da efeméride, a orquestra infanto- juvenil "Os Violinhos" vai actuar no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, onde, entre outras obras, interpretará "Música de Mesa para Dois".
"É uma partitura genial, que pode ser lida de cima para baixo e de baixo para cima, ou seja, presta-se a ser interpretada por dois violinistas em simultâneo, um em frente do outro e ambos a ler pela mesma folha", explicou Rui Fernandes, professor d`Os Violinhos.
A orquestra, composta por cerca de 160 violistas com entre seis e os 18 anos, visa "tornar a música clássica parte do quotidiano das pessoas" e tem em Mozart - "um dos grandes embaixadores da música erudita, cujo nome se tornou uma marca" - um compositor de eleição.
"Para os violinistas, Mozart é um criador indispensável, pois fez cinco concertos e várias sonatas para violino", explicou Rui Fernandes à Lusa, alertando para a necessidade de "levar a excelência e a maravilha da sua música aos mais novos".
Na opinião deste professor, embora o criador austríaco seja bastante conhecido, a sua obra deve ser destacada na formação dos músicos e do seu público, sobretudo no âmbito "do grande trabalho que ainda há a fazer ao nível da educação cultural infanto-juvenil".
Wolfgang Amadeus Mozart nasceu a 27 de Janeiro de 1756 em Salzburgo, assinou centenas de peças, entre sinfonias, sonatas para violino e cravo, e óperas como "As Bodas de Fígaro", "A Flauta Mágica" ou "Don Giovanni".
Morreu aos 35 anos, na madrugada de 05 de Dezembro de 1791, e o seu corpo foi enterrado no pequeno cemitério de Sankt Marx, nos arredores de Viena, numa vala comum, uma sepultura usualmente reservada aos indigentes.