Município da Sertã promove investigação da obra do pintor naturalista Túllio Victorino
A valorização e a divulgação do percurso de Túllio Victorino são os objetivos do protocolo que é assinado na sexta-feira entre a Câmara da Sertã e várias entidades, com o intuito de se investigar o legado do pintor que fez parte do movimento naturalista, anunciou o município.
Túllio Victorino (1896-1969) nasceu em Cernache do Bonjardim, concelho da Sertã, distrito de Castelo Branco. É na casa-ateliê do pintor, em Cernache do Bonjardim, que será formalizado o acordo de cooperação entre o município e instituições académicas de investigação, tendo em vista "o desenvolvimento de um projeto de estudo, divulgação e valorização da vida e obra do pintor Túllio Victorino", para "posterior declinação num conjunto de ações tendentes a recuperar o legado deste grande mestre da pintura naturalista", avançou a Câmara da Sertã em nota enviada à agência Lusa.
O protocolo envolve o município e a Sociedade Nacional de Belas Artes, o Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e a União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais.
"O grande objetivo é reabilitar a figura do pintor, sobretudo no mundo das artes, mas também localmente", explicou à Lusa o presidente da Câmara da Sertã, Carlos Miranda.
Num primeiro momento, será estudada, através do financiamento de uma bolsa, a vida e obra do pintor.
"As pessoas têm apenas a memória da figura, mas não percebem porque é importante, não só a nível local, mas também a nível nacional. Ele está envolto numa certa bruma. A nossa intenção é dar-lhe a projeção que merece, em função da importância da obra dele e de com quem ele se relacionou", frisou o autarca, lembrando a relação com os artistas do Grupo do Leão.
Posteriormente, a intenção é dinamizar a casa-ateliê de Cernache do Bonjardim, espaço onde Victorino viveu e onde pintou a maior parte das suas obras, que foi adquirida pelo município há cerca de duas décadas.
"A prazo, a ambição é que seja um núcleo museológico, que possa ter uma função expositiva, mas também onde se possa recordar a memória de Túllio Victorino e dos seus pares naquela época", acrescentou.
Na Sertã, os últimos anos têm servido para mapear o legado do pintor, localizando as obras que pintou.
"A maior parte dos quadros está em museus como o do Chiado, em Caldas da Rainha, na Figueira da Foz ou em Coimbra, mas também disseminada por coleções particulares".
Agora, é dado o passo seguinte para "validar cientificamente a importância dessa obra".
"Não basta dizer que é um grande pintor. Precisamos da validação científica e, a partir daí, potenciar toda a obra, valorizando-a a nível nacional, também para ter, a nível local, outro impacto".
Carlos Miranda disse entender que "é obrigação do município da Sertã reabilitar" a importância do pintor, mas também "justificar porque se tem de reabilitar".
"Daí o ato simbólico que vai acontecer na sexta-feira", com a assinatura do protocolo, às 18:00, em cerimónia aberta ao público.
Túllio da Costa Victorino frequentou a Escola de Belas Artes em Lisboa, transitando depois para a Escola de Belas Artes do Porto. Aluno de Columbano Bordalo Pinheiro, recebeu influência do mestre José Malhoa.
Através da pintura, "procurava estabelecer um diálogo entre a sua alma e a da própria paisagem", sublinhou o município da Sertã.