Município da Vidigueira alerta Presidente da República sobre fecho das ruínas de São Cucufate

Vidigueira, Beja, 22 Jan (Lusa) - O município da Vidigueira vai alertar o Presidente da República sobre o fecho das ruínas de São Cucufate, por falta de pessoal, manifestando-se "apreensivo" com a ausência de uma "solução imediata" do Governo para resolver o problema.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Consideradas um dos principais vestígios romanos e um dos grandes atractivos turísticos no Baixo Alentejo, as ruínas de São Cucufate, situadas na freguesia de Vila de Frades, concelho da Vidigueira, voltaram a fechar ao público, no início deste ano, por falta de pessoal que garanta a abertura do espaço nos horários de visita.

"Vamos alertar o Presidente da República para a vergonhosa realidade das ruínas que visitou no último mês de Julho, durante as primeiras jornadas do roteiro dedicado ao Património Cultural", disse hoje à agência Lusa o presidente do município, Manuel Narra.

"É vergonhoso que um monumento tutelado pelo Estado e de grande importância histórica e turística esteja fechado ao público por falta de pessoal", lamentou o autarca, lembrando tratar-se de "uma situação que tem vindo a repetir-se periodicamente, nos últimos anos".

Apesar da "longevidade da situação", a ministra da Cultura "limitou-se a extinguir o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), que tutelava o monumento, e a passar o problema para a Direcção Regional de Cultura do Alentejo (DRCA)", acusou o autarca.

"Embora haja disponibilidade e intenções, a DRCA ainda não tem uma solução imediata para resolver o problema e assegurar a abertura permanente das ruínas", lamentou Manuel Narra, mostrando-se "apreensivo" com a situação, que "está a prejudicar o turismo cultural na região".

Nos últimos anos, a abertura das ruínas ao público tem sido assegurada por funcionários contratados ao abrigo de um protocolo de mercado social de emprego entre o extinto IPPAR e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Uma situação que tem provocado o fecho do monumento, durante os períodos de transição entre os contratos dos funcionários subsidiados pelo IEFP.

Com a entrada em vigor, no início deste ano, da nova legislação aplicável, só é possível contratar trabalhadores ao abrigo de programas ocupacionais para auxiliar funcionários do quadro de uma instituição, o que não existe nas ruínas de São Cucufate, explicou Manuel Narra.

Salientando que "não é possível continuar com esta solução", o director da DRCA, José Nascimento, disse hoje à Lusa que a instituição, a partir do quadro de pessoal próprio ou de outras instituições da função pública, vai tentar colocar três funcionários, no mínimo, para trabalhar nas ruínas.

Apesar de frisar que "o processo vai demorar algum tempo", José Nascimento garantiu que "a DRCA vai tentar ser o mais rápida possível para encontrar os funcionários que garantam a abertura permanente das ruínas".

"É preferível esperar algum tempo e encontrar uma solução definitiva do que arranjar soluções provisórias e andar sistematicamente a fechar as ruínas", defendeu José Nascimento, considerando "prematuro" avançar com uma data para a reabertura do monumento, que vai continuar fechado ao público.

"Tenho dúvidas sobre a concretização da solução apontada pela DRCA e temo que seja virtual", disse Manuel Narra, lamentado que, "enquanto a DRCA está na fase das tentativas, as ruínas, que receberam seis mil visitantes em 2007, vão continuar fechadas".

LL.

Lusa/Fim


PUB