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Museu Britânico despede curador suspeito de roubo de peças

O Museu Britânico demitiu esta semana um membro da sua equipa suspeito de desvio de vários bens da coleção da instituição. A polícia foi alertada após diversas peças terem sido dadas como "desaparecidas, roubadas ou danificadas".

Carla Quirino - RTP /
Carla Quirino - RTP

Entre os tesouros “ desaparecidos” estão joias em ouro, vidros e pedras semi-preciosas. Os bens culturais, enquadrados entre o séc. XV a.C. e o séc. XIX d.C., estavam guardados num depósito.

"A maioria dos itens em questão eram pequenas peças guardadas num depósito pertencente a uma das coleções do museu", declarou o diretor do Museu Britânico, Hartwig Fischer. O responsável reiterou que o museu iria "esforçar-se na recuperação de objetos".

"Este é um incidente altamente incomum. Sei que falo por todos os colegas quando digo que levamos a proteção de todos os itens, sob os nossos cuidados, extremamente a sério”, frisou Fisher.

"Já reforçamos os nossos acordos de segurança e estamos a trabalhar ao lado de especialistas externos para concluir um inventário definitivo do que está em falta, danificado e roubado", rematou.

"Os curadores do Museu Britânico ficaram extremamente preocupados quando soubemos no início deste ano que diversos bens da coleção tinham sido roubados", observou, por sua vez, George Osborne, presidente do Museu Britânico.

Osborne explicou: "Chamámos a polícia, impusemos medidas de emergência para aumentar a segurança, estabelecemos uma revisão independente sobre o que aconteceu. Usámos todos os poderes disciplinares disponíveis para lidar com o indivíduo que acreditamos ser o responsável ".

Fischer rematou dizendo que “o museu pede desculpas pelo que aconteceu e que a instituição está determinada a resolver as coisas".

Estes bens culturais não estiveram recentemente expostos. Permaneciam na reserva para estudos académicos.
O curador suspeito

O funcionário suspeito, agora despedido, era curador do Museu Britânico
. Trabalhava no museu há 30 anos, é um eminente especialista em antiguidades das culturas mediterrânicas e chama-se Peter Higgs, de acordo com a publicação britânica Telegraph.

Higgs, que foi demitido no início deste ano, terá, alegadamente, vendido bens culturais não categorizados da coleção do museu na plataforma eBay, em 2016.

Higgs foi contratado pela primeira vez pelo Museu em 1993 e trabalhou como chefe do departamento para a Grécia e Roma. O suspeito é conhecido como um dos chamados “homens dos monumentos” do museu e foi o curador principal da exposição "Gregos antigos: atletas, guerreiros e heróis" apresentada em 2021.

Já o Daily Telegraph acrescenta que foi um especialista em antiguidades não identificado a informar o museu sobre a atividade ilícita de há três anos, mas a instituição apenas agiu ao demitir Higgs no início deste ano.

Higgs foi identificado como o suposto ladrão quando começou a vender bens culturais que, ao contrário de peças anteriores, estes últimos tinham sido exaustivamente catalogados pelo museu e podiam, assim, ser rastreados até seu inventário digital. 

Embora o suspeito operasse sob um pseudónimo no eBay, a sua conta do Paypal  estava vinculada ao feed do Twitter, no qual usava o nome verdadeiro.

Estes incidentes relançam o pretexto para se debater a insegurança dos tesouros arqueológicos mundiais de que o Museu Britânico reclama ser fiel depositário.
Investigação meticulosa

Está em curso uma investigação sob o Comando de Crimes Económicos da Polícia Metropolitana, mas ainda ninguém foi detido.

O museu acrescentou que também foi desencadeada uma ação legal independente contra o funcionário demitido, liderada pelo ex-curador Sir Nigel Boardman e Lucy D'Orsi, chefe de polícia da Polícia de Transporte britânica.

Este grupo de trabalho irá fornecer recomendações para acrescentar medidas de segurança às existentes e será iniciado "um programa vigoroso para recuperar os itens perdidos", de acordo com o museu.

Boardman deixou claro que "será um trabalho meticuloso, que envolverá especialistas internos e externos, mas este caso é uma prioridade absoluta, por mais que demore”.

E acrescentou: “O Museu Britânico foi vítima de roubo e estamos absolutamente determinados a usar a nossa análise para chegar ao fundo do que aconteceu e garantir que as lições sejam aprendidas. Estamos a trabalhar ao lado da Polícia Metropolitana no interesse da justiça criminal para apoiar quaisquer investigações".
 
Osborne reforça que a “prioridade agora é tripla: primeiro, recuperar os itens roubados; segundo, descobrir o que poderia ter sido feito para o impedir; e terceiro, fazer o que for preciso, com investimento em segurança e registos de cobrança, para garantir que isto não aconteça novamente".

E lamenta: "É um dia triste para todos os que amam o nosso Museu Britânico, mas estamos determinados a corrigir os erros e usar a experiência para construir um museu mais forte".
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