Museu das Terras de Basto expõe carruagens reais de D. Carlos e D. Amélia

O Museu das Terras de Basto, em Cabeceiras de Basto, tem no seu espólio algumas peças únicas de grande valor, nomeadamente as carruagens reais do rei D. Carlos (alemã, 1906) e da rainha D. Amélia (belga, 1905).

Agência LUSA /
Lusa

No espaço guardam-se ainda carruagens de outrora, como uma inglesa de 1876, e velhas locomotivas alimentadas a carvão.

O Museu das Terras de Basto, sedeado na antiga estação da CP de Arco de Baúlhe, na extinta Linha do Tâmega, é uma miscelânea de museu ferroviário e de mostra da etnografia regional.

Dispõe de um centro de interpretação, serviço educativo, centro de documentação e de diversas exposições temáticas, nomeadamente "Vamos à aldeia", "Viajar, viajar" e "Vamos andar de comboio".

O lado etnográfico do museu passa, de momento, pela mostra "Um olhar sobre a medicina popular", onde se podem reviver os usos medicinais das ervas da região, visionando artefactos com «olhos de vidro», remédios das antigas farmácias do século XIX e receitas de algumas das mezinhas que curavam as maleitas das gentes de Basto.

O Museu das Terras de Basto nasceu do núcleo museológico ferroviário que a CP aí mantinha, ampliado através de um protocolo com a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto que agora o dirige e mantém.

No local, agora com acesso pela auto-estrada A11, os visitantes - cerca de 11 mil, em dois anos, muitos deles sócios de clubes ligados aos caminhos de ferro ou simples turistas - são recebidos pela técnica de turismo Conceição Magalhães, ou pelo próprio responsável local pelo museu, Francisco Freitas.

A entrada é a própria antiga estação - em cuja arquitectura se nota influência de estilo oriental - onde o visitante pode "picar o bilhete" e escolher a exposição que quer visitar, tendo acesso a toda a informação disponível.

Neste primeiro espaço existe lugar para encontrar, na loja de "Perdidos e achados", a lembrança certa, em produtos artesanais.

Com o bilhete na mão, que dá direito a visita guiada, percorrem-se as várias exposições, nomeadamente "Vamos à Aldeia", onde se descobre o que ia num comboio de mercadorias e "Vamos andar de comboio", no espaço onde se recolhem carruagens de outrora, como uma inglesa de 1876, e as velhas locomotivas alimentadas a carvão.

Patente está, também, uma máquina a vapor de 1908 e uma automotora, de fabrico nacional, construída em 1948, que durante décadas serviu a Linha do Tâmega.

No exterior é possível apreciar os jardins que distinguiram durante anos a estação do Arco de Baúlhe como a mais florida da CP.

A terceira mostra intitula-se "Viajar, Viajar", e nela evocam- se as malas ou os sacos do lanche de quem, desceu da serra, com memórias de comboios, carris, relógios mas também de cheiros de pão fresco, searas e água a correr.

Esta exposição "abre o apetite" para uma outra subordinada ao tema "150 anos dos Caminhos-de-Ferro".

Nela podem ser revividas as ferramentas utilizadas na construção das linhas ferroviárias, duas luxuosas carruagens reais (uma alemã, de 1906, a do Rei, e outra, belga, de 1905, a da Rainha).

Neste antigo edifício do tipo garagem, estão, ainda, os instrumentos de trabalho dos funcionários da estação, como as bandeiras de sinalização, o pica, os bilhetes de comboio, a «farda» do revisor e ainda as notícias publicadas na altura da abertura e do encerramento da Linha do Tâmega.

Integram-na, ainda, várias Gazetas e Boletins dos Caminhos de Ferro Portugueses, nas quais está estampada quase toda a história do comboio em Portugal.

O museu possui rampas de acesso às exposições, textos e catálogos em braille, tendo o seu Centro de Documentação espaço para consulta de periódicos, fotografias e títulos relacionados com a história da região de Basto.

O Centro de Documentação é constituído por dois fundos: o de reservados e o fundo geral, com o primeiro a guardar documentos de arquivo, mapas ferroviários, fotografias, recortes de jornal, manuscritos, acervo documental da história da região das Terras de Basto, nomeadamente Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto e Ribeira de Pena.

O fundo geral contém livros, CD-ROM`s, revistas, jornais regionais e nacionais, que visam documentar e apoiar estudos nas vertentes de história ferroviária, história local e regional, património industrial, transportes e comunicações.

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