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Museu de Arte Antiga exibe o luxo asiático da porcelana, laca e seda

Museu de Arte Antiga exibe o luxo asiático da porcelana, laca e seda

Uma exposição com 54 peças em porcelana, laca e seda, dos séculos XVI e XVII, vai mostrar, a partir de quinta-feira, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, o papel de Lisboa como recetor do "luxo asiático".

Lusa /

"Luxo Asiático - Porcelana, Laca e Seda, do Consumo à Apropriação" é o título desta nova exposição que é inaugurada às 18:00, na Sala do Teto Pintado do museu, revelando a influência que a porcelana chinesa teve na produção da faiança portuguesa.

"Os oleiros de Lisboa foram os primeiros a ver chegar à capital grandes quantidades de porcelana chinesa muito valiosa que tentaram copiar, pelos lucros que queriam obter, criando a faiança portuguesa", recordou o comissário da exposição, Rui Trindade, em declarações à agência Lusa, sobre a mostra do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA).

Embora a porcelana chinesa tenha influenciado a faiança portuguesa, esta última resumiu-se sobretudo ao azul e ao branco.

"Muitas pessoas ainda hoje não sabem a distinção entre porcelana, feita num material cerâmico vítreo, e a faiança, que é feita normalmente em barro", comentou o comissário da mostra.

As peças expostas documentam a influência da porcelana Ming, dos séculos XVI e XVII na cerâmica portuguesa (1559-1687), e, em geral, o papel de Lisboa como recetor de bens do Oriente, quando a cidade se tornou um importante centro produtor de faiança.

"É uma forma de observar o desenvolvimento da faiança portuguesa naquela época", disse o comissário sobre o objetivo da exposição que apresenta peças que na altura eram muito caras pela sua qualidade, tal como a laca e a seda, outros objetos de luxo que circulavam, e cujos percursos eram frequentemente coincidentes.

"Estes requintados bens de consumo promoveram também, na arte europeia, as mais variadas expressões plásticas de um gosto orientalizante", apontou.

De todos os produtos de luxo que animaram as rotas comerciais estabelecidas entre o Oriente e a Europa -- especialmente entre a China e Portugal -- a partir do início do século XVI, "a porcelana, constituiu, sem dúvida, o mais apreciado", segundo o comissário.

Mesmo não alcançando o valor da porcelana chinesa, a faiança portuguesa foi uma história de sucesso "entre a primeira e a segunda metade de quinhentos, tanto mais que a porcelana só veio a ser inventada na Europa, no século XVIII".

"Aparentemente, à medida que se avança para as últimas décadas do século XVI, a louça portuguesa começou a ser levada para rotas do norte da Europa, África, Ásia, América Central e do Sul e, já no século XVII, era conhecida nas colónias europeias da América do Norte", recordou.

Seguindo as rotas comerciais portuguesas, comercializada juntamente com a porcelana, "foi a primeira faiança europeia de consumo global".

De acordo com Rui Trindade, as peças exibidas são provenientes do Museu Nacional de Arte Antiga, do Museu Nacional Machado de Castro (Coimbra), do Museu Nacional Soares dos Reis (Porto), da Casa Museu Anastácio Gonçalves (Lisboa) e do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) (Lisboa).

A exposição vai estar patente até 26 de janeiro de 2020.

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