Museu de Arte Contemporânea inagura exposição de Lucia Nogueira e mostra de esculturas

O Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, inaugura sexta-feira uma exposição de 45 esculturas e 34 desenhos da artista brasileira Lúcia Nogueira e uma mostra de obras de escultura pertencentes à Fundação.

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Segundo disse hoje à Lusa fonte de Serralves, a exposição de Lúcia Nogueira, que morreu em 1998, é a primeira retrospectiva internacional da sua obra, juntando escultura, pintura e desenho.

Lúcia Nogueira é principalmente conhecida pelas suas instalações, que exibiu em locais de excelência, como a Ikon Gallery e a Camden Arts Centre, no reino Unido.

"Na sua escultura, Lúcia Nogueira combinou a destreza de um joalheiro com as intenções e a concentração de um fabricante de bombas, aliando um ambiente sinistro a um raro sentido de humor", adiantou a fonte.

Objectos partidos, abandonados e perdidos, como corda de cetim, tubos de borracha, pedaços de pêlo e fio de aço, mesas e cadeiras, triciclos partidos e brinquedos alimentados a pilhas são alguns dos materiais que foram utilizados pela artista.

"Várias vezes utilizou foguetes explosivos, pombas vivas, feijões e guarda-chuvas", frisou a fonte de Serralves, acrescentando que Lúcia Nogueira "retirou a estes objectos qualquer componente fundamental e transformou-os em trabalhos desconcertantes e poéticos, que desafiam o espaço e usam as suas possibilidades arquitectónicas como parte do processo criativo".

Esta mostra, que estará patente até Janeiro, destaca também o desenho da artista, que foi "parte fundamental da vida e do trabalho" de Lúcia Nogueira.

"Apesar de autónomos, os desenhos dão pistas para a origem do seu trabalho em escultura, os seus filmes e as suas instalações, testemunhando o seu interesse em determinadas formas e objectos, como tubagens, molas, cadeiras, mesas e escadas", acrescentou.

Lúcia Nogueira desenvolveu a sua carreira em Londres desde a década de 80.

O Museu de Arte Contemporânea inaugura, também sexta-feira, uma mostra constituída por cinco esculturas, pertencentes à colecção da Fundação de Serralves, também patente até Janeiro.

As cinco obras seleccionadas confrontam e fazer interagir, segundo a fonte da fundação, "a escultura com outras formas de arte, proporcionando inesperadas justaposições de espaços dentro de outros espaços, espaços exteriores, interiores e intermédios".

As obras expostas são da autoria dos artistas Robert Grosvenor, Joel Shapiro, Robert Morris, Richard Serra e Tobias Rehberger.

Para Serralves, a singularidade que caracteriza os universos criativos destes artistas convida o espectador a explorar novos horizontes de percepção da escultura, da instalação, da arquitectura, do espaço e do tempo.

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