Museu francês sobre história da imigração suscita polémica

O museu nacional da história da imigração, que pretende reconhecer o contributo dos estrangeiros em França, é quarta-feira inaugurado discretamente, em Paris, devido às actuais políticas de imigração.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

A abertura deste novo museu nacional, lançado há cerca de 15 anos por historiadores e depois apoiado pelo ex-primeiro ministro socialista Lionel Jospin e inscrito no programa do candidato a presidente Jacques Chirac, em 2002, vai fazer-se sem "grande alarido".

Não está prevista qualquer inauguração oficial, tendo apenas o ministro da Cultura francês, Christine Albanel, prometido que passaria pelo museu quarta-feira à noite.

O museu insere-se no projecto Cidade Nacional da História da Imigração (CNHI) e tem por objectivo "conhecer e reconhecer o contributo da imigração em França", segundo a instituição.

Através de documentos de arquivo, imagens, obras de arte, objectos da vida diária e testemunhos visuais e sonoros, a exposição pretende "valorizar o contributo dos imigrantes no desenvolvimento económico, nas evoluções sociais e na vida cultural francesa", referiu a CNHI.

Um dos historiadores e responsáveis pelo museu, Patrick Weil, referiu que o museu retrata a história de cerca de 25 por cento da população francesa e "teria sido natural que o presidente da República marcasse presença".

Por sua vez, outro dos historiadores, Gérard Noiriel, considerou que "se não há uma inauguração oficial, é porque há um bloqueio".

"O nosso discurso, que é mostrar os contributos da imigração, não é o da suspeita generalizada dos imigrantes com a criação de testes de ADN", disse Gérard Noiriel, referindo-se ao projecto de lei da imigração que exige a realização de testes de ADN aos estrangeiros que pretendam o reagrupamento familiar em França.

O museu terá uma exposição permanente sobre os 200 anos da história da imigração em França.

"Esta história é ignorada, quase não é reconhecida", disse o responsável pelo museu, Jacques Toubon, adiantando que a maior parte dos cidadãos franceses "vive a imigração como um fenómeno recente".

Na ausência de uma inauguração oficial, a Liga dos Direitos do Homem e outras associações estão a apelar para que quarta-feira de manhã se realize uma "inauguração dos cidadãos".


PUB