Músico norte-americano Charles Gayle na temporada Le Foyer do Conservatório de Lisboa
Lisboa, 21 mai (Lusa) - O músico norte-americano Charles Gayle e o Quarteto Camões atuam em Lisboa, no próximo fim de semana, na temporada Le Foyer, do Conservatório Nacional, de apoio à recuperação do Salão Nobre, anunciou hoje a instituição.
O Quarteto Camões sobe ao palco no próximo sábado, às 21:30, antecedendo uma atuação surpresa do grupo Duo Millon, formado por alunos do Conservatório, enquanto o saxofonista e pianista Charles Gayle, que o Conservatório define como "icónico", se apresenta numa atuação a solo em piano e em saxofone.
A temporada Foyer foi inaugurada em 2011, com o objetivo de angariar fundos para as obras de requalificação do Salão Nobre da Escola de Música do Conservatório de Lisboa, num sistema de captação de verbas, denominado "Bilhete/Donativo", em que os espectadores pagam um bilhete no valor que entenderem, sabendo que estão a contribuir diretamente para as obras de salvação do Salão Nobre, que se encontram em curso.
O ciclo Foyer prolonga-se até ao final de maio, com mais atuações. O multi-instrumentista Nilson Dourado apresenta-se em trio, no dia 29, com "dois expoentes" da nova geração do jazz português, segundo o Conservatório - António Quintino e Marcelo Araújo -, trazendo composições de Tom Jobim, Toninho Horta e Dori Caymmi.
No dia 30, a violoncelista Maria José Falcão, solista da orquestra Gulbenkian, sobe ao palco com músicos convidados, entre os quais os pianistas Anne Kaasa, António Rosado e Jorge Moyano, num projeto denominado "50 anos de partilha musical."
No dia seguinte, os "Fungaguinhos" fecham este ciclo com o seu projeto de homenagem a José Barata Moura, autor de músicas infantis como "Joana Come a Papa", que o grupo quer preservar.
A primeira temporada Le Foyer, em novembro de 2011, contou com o pianista e compositor Bernardo Sassetti, falecido em maio de 2012, seguindo-se, entre outros músicos, Luís Caracol, Adriana Queiroz, Filipe Raposo ou o guitarrista Pedro Jóia e o fadista Ricardo Ribeiro, num cruzamento de linguagens que resultou na gravação de um disco.
O total das receitas dos concertos Le Foyer reverte para a Associação de Amigos da Escola de Música do Conservatório Nacional, permitindo dar continuidade aos melhoramentos, entretanto já iniciados, do Salão Nobre.
Desde a década de 1940 que não se efetuava qualquer obra de fundo de manutenção do Salão Nobre do Conservatório, concebido pelo arquiteto Eugénio Cotrim, com tetos pintados por José Malhoa.
Inaugurado em 1881, a acústica do salão foi elogiada desde então por artistas como a violinista Guilhermina Suggia ou os cantores Mara Zampiere e Peter Schreier, que ali efetuaram gravações.
O Conservatório vai ainda ser alvo de uma venda solidária de livros, na próxima quarta-feira, dia 27, no Jardim do Príncipe Real, por iniciativa da Chiado Editora.
As receitas serão entregues na totalidade ao Conservatório Nacional e canalizadas para a compra de instrumentos, congelada há três anos por condicionalismos orçamentais, de acordo com a editora.
A iniciativa "Livros e música no Jardim. Pela Escola de Música do Conservatório Nacional" vai contar também com atuações de alunos da instituição, no Príncipe Real.
Em comunicado, o presidente da Chiado Editora, Gonçalo Martins, refere que esta iniciativa tem dois objetivos que se complementam: divulgar os seus livros e "contribuir para a sustentabilidade de uma instituição que é uma referência, no talento e no ensino, e que não pode estar em causa."
No primeiro trimestre deste ano, alunos e professores do Conservatório manifestaram-se devido ao estado de degradação do edifício, apelando ao desbloqueamento de verbas, para as obras. Em março foi aprovado um orçamento inicial de 43 mil euros, "para remendar telhados, teto e o pátio", como disse na altura à Lusa a diretora da Escola do Conservatório Nacional, estando desde então a decorrer obras de recuperação do edifício.