Músicos do Tejo, Pedro Costa e Pedro Maia em festival de artes visuais em Madrid

Madrid, 01 out 2019 (Lusa) -- Os Músicos do Tejo, com um espetáculo criado em parceria com o realizador Pedro Costa, e o cineasta Pedro Maia fazem parte da programação do Rayo, festival de artes visuais que decorre de quinta-feira a domingo em Madrid.

Lusa /

O Rayo -- Festival de Artes Visuais Expandidas tem este ano a edição inaugural assente em dois espetáculos de músicos e cineastas portugueses, com destaque para "As Filhas do Fogo", em que os Músicos do Tejo voltam a juntar-se à visão entre cinema, teatro e música de Pedro Costa, sobre Cabo Verde, e a chegada de três mulheres a Portugal após a erupção do vulcão Fogo.

Segundo a nota de apresentação da peça, a apresentar na sexta-feira, na Cineteca, o espetáculo "deambula pelos dias e noites, a escuridão de becos e as vidas invisíveis de tantos e tantos migrantes".

Esta apresentação é uma nova versão de uma outra, com o mesmo nome, apresentada há três anos na Fundação Calouste Gulbenkian, que atravessava mais de quatro séculos de música, com obras de compositores como Monteverdi, Kurtag, Pergolesi, Bach ou Schubert, entre outros, utilizando filmagens de Cabo Verde, feitas por Pedro Costa durante a rodagem de "Casa de Lava", agora a par de novas imagens.

O coletivo liderado por Marcos Magalhães e Marta Araújo será acompanhado, em palco, por um elenco que trará interpretação teatral a um trabalho que combina este lado com a música e o cinema.

No sábado, de novo na Cinemateca de Madrid, o realizador Pedro Maia junta-se ao compositor alemão Robert Lippok para mostrar "Negative Space", em que o português manipula "e força os limites estéticos do analógico, através de projetores de 16 mm", com o músico de Berlim a trabalhar sobre "uma base de experimentação eletrónica".

"`Negative Space` é uma `performance colaborativa` entre Pedro Maia e Robert Lippok, em que paisagens sonoras e visuais são construídas em tempo real", lê-se na apresentação.

A "performance colaborativa" volta a juntar o cineasta residente em Berlim, onde tem trabalhado sobre formatos analógicos, ao compositor, antigo membro da banda de `krautrock` e `pós rock` To Rococo Rot, cerca de um ano depois de ambos terem montado "Wastland", na capital alemã.

Pedro Maia tem vindo a desenvolver o conceito "Live Cinema", explorando a potencialidade do cinema analógico, manipulando imagens em tempo real e interagindo com o som, quer em atuações a solo, quer em parceria.

Lee Ranaldo, Remix Ensemble Casa da Música, Vessel e Craig Leon são alguns dos músicos e formações com que tem atuado, desde 2004, em instituições que vão do Barbican, em Londres, ao Museu de Serralves, no Porto.

O festival Rayo foi criado para "transitar entre os campos do visual e sonoro e as suas múltiplas intersecções", com a intenção de provocar "híbridos" e cruzar artistas de várias disciplinas diferentes, contando ainda com trabalhos de artistas como Bruce McClure, Diego Echegoyen, o coletivo 3D Pussykrew, a compositora Yamila ou uma colaboração entre a artista visual Rosa Barba e o baterista Chad Taylor

Tópicos
PUB