Nobel da Literatura 2002 recebe prémio de relações germano-europeias
O Nobel da Literatura húngaro Imre Kertész recebeu hoje em Berlim o prémio para o entendimento germânico e europeu atribuído pela Deutsche Gesellschaft, associação alemã para a promoção das relações políticas, culturais e sociais na Europa.
A presidente do Goethe Institut - instituição dedicada à difusão da cultura e língua alemãs no estrangeiro -, Jutta Limbach, afirmou que o autor de "Sem Destino" desperta "a consciência da eterna e recorrente fragilidade da nossa civilização".
Durante a cerimónia de entrega do galardão, realizada na igreja berlinense de St. Nicholai, Limbach sublinhou que Kertész não é só um escritor, mas "um retratista de seres humanos".
Este prémio anual, que consiste numa escultura e numa bolsa de 5.000 euros para apoiar um jovem artista da eleição do galardoado, é um dos marcos da Deutsche Gesellschaft, fundada pelo ex-chanceler social-democrata Willy Brandt e pelo escritor Martin Walser, entre outros.
No discurso proferido, a presidente do Goethe Institut frisou igualmente que "os alemães têm de agradecer-lhe [a Kertész] por acompanhá-los na tentativa de que a História não se repita".
O Nobel referiu-se, no seu discurso de agradecimento, ao "longo caminho" percorrido na sua vida e obra, que começou com "a época mais penosa e vergonhosa da História da Humanidade".
O escritor judeu, nascido em Budapeste em 1929, foi levado em 1944 para o campo de concentração de Auschwitz e em seguida para o de Buchenwald.
A descrição das suas experiências como criança e adolescente prisioneiro dos nazis valeu-lhe o Nobel da Literatura em 2002.
Tradutor para húngaro de Sigmund Freud, Friedrich Nietzsche e Elias Canetti, o escritor sofreu também a repressão estalinista.