Nobel da Literatura 2006

O prémio Nobel da Literatura foi atribuído ao escritor turco Orhan Pamuk, 54 anos, anunciou a Academia Sueca. O escritor tem dois livros publicados em Portugal pela Editorial Presença, que prepara o lançamento de duas novas obras.

Agência LUSA /

O escritor Orhan Pamuk, que ganhou o Nobel da Literatura 2006, é um dos principais nomes da nova literatura turca e a sua obra está traduzida em mais de 20 idiomas.

Nascido a 7 de Junho de 1952 em Istambul, onde ainda reside, Pamuk viveu três anos em Nova Iorque, para além de breves estadas na Alemanha.

Aos 23 anos decidiu abandonar os estudos de arquitectura para se consagrar à literatura. Sete anos mais tarde publicou o seu primeiro romance, em 1982.

Mas, a obra que o daria a conhecer internacionalmente foi "O Livro Negro", em 1990, um dos romances mais lidos da Turquia.

Escreveu também "O Meu Nome é Vermelho" e "Neve". A sua última obra é um livro sobre a sua cidade natal, com um registo autobiográfico.

O comité Nobel anunciou que decidiu recompensar um escritor que "em busca da alma melancólica da sua terra natal encontrou novas imagens espirituais para o combate e para o cruzamento de culturas", indica o comunicado que fundamenta a escolha.

Criticado pelos nacionalistas pela sua defesa das causas arménia e curda, Pamuk é autor de uma obra que descreve as divisões da sociedade turca entre o cidente e oriente.

"Um milhão de arménios e 30 mil curdos foram mortos aqui, mas ninguém para além de mim ousa dizê-lo", afirmou em Fevereiro de 2005 em declarações a uma revista suíça.

Foi acusado de "insulto deliberado à nação turca", um crime punido com pena de seis meses a três anos de prisão. Mas, a acusação acabou por ser abandonada no início deste ano, numa altura em que o Governo turco tentava não denegrir a sua imagem tendo em vista as negociações para adesão à União Europeia.

Descrito como alto, grisalho, desengonçado, nervoso e habituado a falar depressa, Pamuk foi o primeiro escritor do mundo muçulmano a condenar abertamente o fatwa de 1989 contra o escritor Salman Rushdie e também defendeu o seu colega turco Yasar Kemal quando este foi chamado aos tribunais em 1995.

Pai de uma adolescente, Pamuk é divorciado e vive em Istambul.

Apesar da controvérsia que suscita, o escritor evita aparecer em público e prefere a desordem do seu escritório aos ecrãs da televisão

Este prémio tem o valor de 10 milhões de coroas suecas (cerca de 1,1 milhões de euros) e será entregue, tal como os outros Nobel, a 10 de Dezembro.

O escritor turco Orhan Pamuk, vencedor do Nobel da Literatura 2006, tem dois livros publicados em Portugal pela Editorial Presença, que prepara o lançamento de duas novas obras, revelou a editora à Agência Lusa.

De acordo com a Presença, as duas obras editadas em Portugal são "Os Jardins da Memória", em Junho de 2004, e "A Cidadela Branca", editada em Maio de 2 000, ambos com uma tiragem de três mil exemplares.

A mesma fonte da editora adiantou que em Novembro próximo irá lançar outra obra de Orhan Pamuk, intitulada "A Vida Nova", e foram também adquiridos os direitos de "The Snow", que a Presença pretende publicar também ainda este ano.

A Presença referiu que "Os Jardins da Memória" e "A Cidadela Branca" ai nda estão disponíveis ao público nas livrarias e que irá fazer novas edições se as obras esgotarem.

Nascido em 1952, Orhan Pamuk é o escritor turco mais galardoado a nível nacional e internacional.

Atribuição do Nobel a Pamuk foi "excelente" - José Manuel Mendes

O presidente da Associação Portuguesa de Escritores (APE), José Manuel Mendes, considerou hoje "excelente" a atribuição Prémio Nobel da Literatura 2006 ao escritor turco Ohram Pamuk.

Manuel Mendes qualificou Pamuk, com duas obras traduzidas em Portugal ( "Jardins da memória" e "Cidadela branca"), como "um narrador poderoso".

O presidente da APE salientou ainda que "a Academia Sueca não quis passar ao lado de uma leitura política da realidade do mundo e pronunciou-se a favor da integração na União Europeia de uma Turquia das liberdades, democrática, à margem dos atavismos totalitários que o escritor combate".

Para José Manuel Mendes "nas obras de Pamuk, além da efabulação, há uma esmerada composição das personagens, ambientes de época atravessados por conflitos onde não está ausente uma significativa análise pedagógica".

"A Neve", título a editar ainda este ano em Portugal, e "Jardins da Memória", são dois dos seus livros favoritos do autor turco.

"Pamuk tem uma escrita sem adiposidades, flexível, policroma que acaba por prender e contagiar o leitor", disse

A história doNobel da Literatura

O Prémio Nobel da Literatura, um dos mais prestigiados galardões do mundo, no valor de 10 milhões de coroas suecas (cerca de 1, 1 milhões de euros), é atribuído desde 1901 pela Academia Sueca.

Na lista dos 103 laureados, iniciada com o francês Sully Prudhomme, predominam os autores europeus e norte-americanos, mas no último meio século, o Nobel abriu-se a outras latitudes, nomeadamente ao Japão, América Latina e África.

O único escritor de língua portuguesa premiado com o Nobel da Literatura foi o português José Saramago, em 1998, e dois anos depois, também pela primeira vez, a Academia Sueca distinguiu um autor chinês, Gao Xingjian.

Jean Paul Sartre, galardoado em 1964 ou Gabriel Garcia Marques (1982) já eram mundialmente famosos quando foram distinguidos pela Academia Sueca, enquanto a austríaca Elfried Jelinek (2004) ou o poeta polaco Czeslaw Milosz (1980) só eram conhecidos dentro dos círculos literários.

Entre os premiados com o Nobel da Literatura figuram alguns dos mais populares escritores do século XX, desde Rudyard Kipling (1907) a Ernest Hemingway (1954), passando por Thomas Mann (1929), William Faulkner 1949) e Albert Camus (1957).

Dois dos mais influentes romancistas da Historia moderna - Marcel Proust (1871-1922) e James Joyce (1882-1941) - foram, contudo, ignorados.

Frank Kafka (1883-1924), outro grande clássico do século XX, também não ganhou o Nobel, mas neste caso, trata-se de um escritor cuja obra foi publicada postumamente e a Academia Sueca só premeia autores vivos.

Em mais de um século, o Nobel só não foi atribuído seis vezes: em 1914, 1918, e entre 1940 e 1944.

Jean Paul Sartre recusou o Prémio e o russo Boris Pasternak foi impedido pelo governo soviético de ir a Estocolmo recebê-lo, em 1958.
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