Nono Festival Temps D´Images com 20 espetáculos, apesar dos cortes nos apoios
Lisboa, 19 out (Lusa) - O Festival Temps D´Images começa no dia 27 em 13 espaços culturais de Lisboa, que acolherão em estreia 12 novas criações nacionais multidisciplinares, numa nona edição que é "fruto de um milagre", após cortes nos apoios europeus.
Em declarações à agência Lusa, António Câmara, da DuplaCena, e um dos 12 programadores, manifestou o seu contentamento pela continuação do festival num período de dificuldades financeiras: "Após oito anos de financiamento europeu, houve uma pausa".
Fundado em França pelo canal ARTE e La Ferme du Buisson, o festival estendeu-se a uma dezena de país, mas este ano a rede ficou reduzida à Alemanha, Hungria, Itália, Polónia, Roménia. Em Portugal é organizado pela DuplaCena com diversas parcerias.
Os apoios em Portugal vieram da Fundação Calouste Gulbenkian, da Direção-Geral das Artes, do Instituto do Cinema e do Audiovisual e da Câmara Municipal de Lisboa, entre outras entidades, além dos 13 espaços culturais da capital que vão acolher duas dezenas de projetos este ano.
São eles o Centro Cultural de Belém, a Culturgest, o Teatro Maria Matos, o Teatro São Luiz, a Cinemateca, o Museu do Chiado, o Teatro Camões, a Galeria Graça Brandão, a EIRA, o Palácio Quintela, o Carpe Diem, o Museu da Eletricidade e a Faculdade de Belas Artes, que celebra este ano 125 anos de existência e exibirá os filmes a concurso aos prémios de cinema.
"O conceito e a história deste festival são demasiado importantes para deixar de existir porque tem uma programação plural", sublinhou António Câmara, destacando que este ano a organização decidiu focar-se nos projetos dos portugueses.
Nesta nona edição, o festival mantém o seu caráter multidisciplinar, apresentando, entre outros, os artistas visuais Ricardo Jacinto e Dominique Gonzales Foerster, os encenadores Carlos Pimenta, Susana Vidal, o arquiteto Carlos Gomes, os performers Miguel Bonneville, Tiago Cadete e Sónia Baptista, e os coreógrafos Paulo Ribeiro, Olga de Sotto e Márcia Lança.
Também continuará a apresentar os projetos denominados estaleiros - que resultam de parcerias artísticas - como a do compositor Vasco Mendonça com o cineasta Sandro Aguilar, ou a companhia Cão Solteiro com André Godinho.
Apesar dos cortes, o certame conseguiu manter os Prémios de Cinema para Filmes Sobre Arte, com um valor pecuniário de 2.000 euros que será atribuído ao melhor filme, 1.500 euros para o melhor filme português, 1.500 para a película com melhor contributo artístico e ainda duas menções honrosas.
António Câmara indicou que receberam 400 filmes a concurso para os prémios e foram selecionados cerca de 40, e, destes, 17 são portugueses.
Os Prémios de Cinema para Filmes Sobre Arte tem direção e programação de Rajele Jain e o júri que vai apurar os vencedores finais será composto por estudantes de várias áreas artísticas.
Está ainda previsto um ciclo de cinema na Cinemateca com assinatura de Teresa Garcia e Pierre Marie Goulet, no qual a musica(lidade) terá particular predominância.
O Festival Temps D´Images - que acolhe anualmente entre oito a dez mil espetadores - decorrerá até 26 de novembro em Lisboa.
AG.