Nova edição de autobiografia do último imperador da China

Uma nova edição da autobiografia do último imperador chinês, incluindo pela primeira vez referências ao assassínio de um filho ilegítimo de uma das suas mulheres, chegou agora às livrarias, noticiou a imprensa local.

Agência LUSA /

O livro é uma nova edição de "De imperador a cidadão", escrito pelo deposto soberano Aisin Gioro Pu Yi (1905-1967), que inspirou "O último imperador", a famosa película de Bernardo Bertolucci.

Publicado pela editora Qunzhong, o livro inclui novos dados sobre a permanência de Pu Yi na prisão, entre 1949 e 1959.

Pu Yi conta que uma das suas mulheres, a imperatriz Wan Rong, teve um filho de um amante japonês.

O bebé foi assassinado em água a ferver logo após ter nascido, facto que se ocultou da mãe, que acreditou sempre que o filho - como era corrente numa época em que o imperador tinha dezenas de filhos de várias mulheres - tinha sido levado para fora do palácio para que dele cuidassem.

A nova edição revela também que Pu Yi mentiu quando foi julgado pelo tribunal internacional criado para julgar os crimes de guerra do exército japonês.

A maior parte da autobiografia foi escrita por Pu Yi na prisão, publicada três anos antes da sua morte e usada então, em plena Revolução Cultural, como exemplo dos êxitos da "reeducação", na medida em que o autor confessa nas suas páginas estar arrependido de ter sido imperador.

Coroado em 1908, com apenas três anos, Pu Yi foi derrubado na revolução de 1911, com seis anos, mas continuou a viver na prisão dourada da Cidade Proibida até 1924.

Pelo facto de, nos anos 30, ter sido coroado rei de Manchukuo, estado títere criado pelos japoneses no nordeste da China durante a sua invasão do país, finda a segunda guerra mundial Pu Yi foi declarado criminoso de guerra e encarcerado durante uma década.

PUB