Nova editora chamada Livros de Seda é hoje apresentada
Lisboa, 18 Mar (Lusa) - A Livros de Seda, uma nova editora dedicada às mulheres que se define como a primeira "editora do género" portuguesa, será apresentada hoje à noite no espaço Fábrica do Braço de Prata, em Lisboa.
"A Livros de Seda dirige-se a todas as mulheres portuguesas, procurando de uma forma global satisfazer as suas necessidades de livros, o que quer dizer que publicará ficção e não-ficção", disse à Lusa Vanda Acates, do departamento de marketing da Plátano Editora, em cuja estrutura a nova chancela está integrada.
Uma das apostas desta "editora do género" será cativar diferentes públicos, razão pela qual não publicará apenas ficção, mas também "livros de entretenimento e outros de reflexão", bem como "obras de qualidade para públicos mais jovens" e "obras que façam algo pela sociedade, que divulguem boas práticas sociais e exemplos dignos de valor", revelou a responsável.
Neste momento, há já quatro livros nos escaparates das livrarias, dos quais a editora destaca o romance "Um Segredo", de Philippe Grimbert, classificando-o como "uma obra séria, vencedora do Prémio Goncourt Fnac e de outros prémios, como o da revista Elle ou o Wizo".
Os restantes três são "A Mulher que Escreveu a Bíblia", "uma história hilariante" escrita por Moacyr Scliar, um dos mais importantes e consagrados autores brasileiros actuais, "A Interrupção de Tudo", de Terry McMillan, uma das mais populares escritoras norte-americanas, e "Dádivas do Mar", descrito como "a obra-prima da grande heroína da América Anne Morrow Lindbergh, uma obra ímpar, ainda hoje considerada um dos mais importantes livros publicados na área do pensamento".
"Mesmo em termos de ficção, e apesar de termos começado com obras traduzidas, iremos procurar autoras nacionais, tanto consagradas como jovens", indicou Vanda Acates.
Na área da não-ficção, a responsável destacou um livro que será lançado no primeiro semestre deste ano e que aborda "uma tendência sociológica com cada vez maior predominância: mulheres que optam, de forma justificada e consciente, por não ter filhos".
A obra, da autoria de Laura Alves, tem um título ainda provisório: "Não Quero ser Mãe".
A ideia de criar uma editora dedicada às mulheres surgiu porque "segundo os vários estudos existentes - inclusive em Portugal -, são as mulheres as principais leitoras e, de longe, as maiores compradoras" de livros, sublinhou.
A tendência de um mercado que foi "criado e moldado por homens, à sua imagem e entendimento do mundo, apoiado em premissas de hierarquia e competição, de sucesso e eficácia" está - defendeu - a começar a ser abandonada.
"As coisas estão definitivamente a mudar: as mulheres são hoje um importante motor do mercado, têm instrução, tempo e formação e, naturalmente, querem que os produtos passem a ser feitos também à sua imagem, mais empáticos, comunitários (...) enfim, mais humanos e integrados na sociedade, mais preocupados e seguindo uma estética menos agressiva e com mais referências na sua vida", sustentou.
"Por isso - concluiu - existe um claro mercado para a Livros de Seda".
ANC.
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