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Nova geração de robots a energia solar vai animar jardim público

Uma nova geração de robots movidos a energia solar está a ser criada por Leonel Moura para se instalar em permanência em Alverca, onde o quotidiano de criaturas com inteligência artificial poderá ser acompanhado pelo público.

Agência LUSA /

Em entrevista à Agência Lusa, o artista plástico que se dedica à bioarte - arte inspirada pela ciência e pela biologia - revelou que oito destes novos robots já estão concluídos e quatro ou cinco serão apresentados ao público em Setembro.

Dez destas máquinas ficarão a "viver" no Robotarium X, um projecto inédito de Leonel Moura, que ficará instalado no Jardim do Bom Sucesso, em Alverca, com abertura prevista para o início de 2006.

"É como se fosse um jardim zoológico com animais artificiais", comparou o artista plástico para dar uma ideia do que consiste o seu projecto.

"Será um lugar fechado, uma estrutura em vidro e ferro com robots que andam de um lado para o outro, desenvolvendo um modo de vida próprio", acrescentou, sublinhando que não terão forma humana ou animal.

Ao contrário dos robots pintores que concebeu em 2004, estes serão menos inteligentes porque têm sensores de menor potência, mas esta nova geração "é eterna, no sentido em que usa a energia solar e pode viver durante muitos anos".

Em vez de energia solar, os robots pintores criados pelo artista usam baterias que lhes dão uma "duração de vida" de cerca de cinco a seis horas, e têm uma noção razoavelmente sofisticada do mundo à sua volta devido aos potentes sensores com que são concebidos.

Estes "robots artistas" são programados para se movimentar de uma certa maneira, mas o resultado final das obras que criam "é sempre uma surpresa" para Leonel Moura porque as máquinas vão tomando as suas próprias decisões de composição.

"Com base nas informações que recebem dos sensores tomam as decisões para criar. O algoritmo que estes computadores usam tem algo a ver com o comportamento das formigas", exemplificou, acrescentando que estes insectos "usam a feromona (um odor que deixam no chão) para se orientarem e fazer os carreiros".

Em vez da feromona, os robots usam a cor para se guiarem, seguindo os traços coloridos deixados na tela, de forma a criar uma composição.

Quanto aos novos robots, que ficarão no Jardim do Bom Sucesso a partir do próximo ano, "vão movimentar-se de dia e dormir à noite", descreveu o artista.

Neste momento, Leonel Moura já consegue fazer um robot sozinho, mas o desenvolvimento destas máquinas é bastante complexo, envolvendo uma parte física (harddware) e outra mental (software).

Para o auxiliar, o artista tem recorrido à IdMind, uma empresa portuguesa que se dedica ao desenvolvimento robótico e que, de acordo com Leonel Moura, "faz um trabalho excelente, que está ao nível mundial".

No futuro Robotarium, o público vai ter a possibilidade de apreciar estas "entidades com vida artificial, cujo modo de vida irá estimular a criatividade dos mais jovens na área da tecnologia".

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