Novas descobertas em Teotihuacan completam a história de cidade ancestral

Investigadores da Universidade Nacional do México encontraram milhares de objetos inéditos num túnel secreto, debaixo da cidade ancestral de Teotihuacan. Os responsáveis dizem que as novas descobertas vão ajudar a compreender uma cidade desconhecida que foi um dos maiores centros urbanos do mundo entre os séculos I e III d.C.

Andreia Martins, RTP /
Reuters

Debaixo da Pirâmide da Serpente Emplumada de Teotihuacan, a 50 quilómetros da cidade do México, está um dos mistérios subterrâneos mais bem guardados do mundo que poderá agora ser desvendado. Um grupo de investigadores do Instituto Nacional de de Antropologia e História (INAH) divulgou esta quinta-feira os resultados da exploração de três câmaras de um túnel com mais de 100 metros.



Entre os achados mais recentes, os arqueólogos destacam quatro esculturas ornamentadas com jóias pré-hispânicas. Uma descoberta que ajuda a corrobar a tese defendida por Sergio Gómez, diretor de um projeto de investigação, logo em 2003: a hipótese deste túnel subterrâneo se tratar de uma sepultura real de governantes teotihuacanos. 

Explica o arqueólogo que as quatro esculturas com cerca de 65 centímetros estavam de pé, orientadas para uma parte central que corresponde ao pono mais alto da pirâmide. à entrada das câmaras que agora são exploradas, estavam as oferendas mais comuns da época, que ajudam a reforçar a hipótese de este se tratar de facto de um túmulo importante. O diretor da investigação dizia em conferência de imprensa, esta quinta-feira, que "a magnitude das ofertas que encontrámos, (o sepúlcro) não pode ser em mais nenhum sítio senão aqui".


Uma sociedade totalmente desconhecida
A importância das descobertas agora divulgadas acresce quando percebemos o pouco que se sabe da cidade de Teotihuacan. Os documentos arqueológicos e históricos indicam que a cidade ancestral foi uma das mais pujantes da primeira metade do primeiro milénio d.C., com uma população estimada de 200 mil habitantes, entre mistecas, zapotecas, nauatles, maias e outras etnias. No entanto, pouco ou nada se sabe sobre a política e o sistema governante, ou como se estruturava esta sociedade ou como era distribuído o poder.

O investigador Sergio Gomez considerava em 2011, em declarações à Associated Press, que caso se confirmasse a tese de que o túnel se trata de uma tumba real "esta será uma das mais importantes descobertas arqueológicas do século XXI, numa escala global".

Teresa Franco, diretora-geral do INAH, estima que as escavações das três câmaras serão concluídas em 2015 e que esta investigação poderá conduzir a "uma nova leitura" arqueológica das áreas da mesoamérica e aridoamérica.
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