Novas instalações da revista Broteria, em Lisboa, abrem hoje ao público
As novas instalações da revista Brotéria, no Bairro Alto, em Lisboa, abrem hoje ao público, pelas 18:00, com uma programação artístico-cultural que se prolonga até sábado, e que começa com a discussão sobre a "uberização do trabalho".
A revista e a sua biblioteca passam a ocupar o antigo palácio dos Condes de Tomar, onde esteve instalada a hemeroteca municipal, edifício recuperado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que convidou a publicação da Companhia de Jesus, como forma de dinamizar culturalmente esta zona central da cidade, apresentando-se como "um espaço sossegado, onde se pode pensar", disse hoje o padre jesuíta Francisco Sassetti Mota, que dirige a casa.
A instalação da Brotéria neste edifício teve um custo de cerca de 400.000 euros, revelou o responsável, advertindo que "não estão todas as contas feitas".
A Biblioteca da Brotéria, de acesso condicionado, vai abrir no verão, com o catálogo totalmente disponível `on-line`, assim como as requisições.
No local, a biblioteca tem uma capacidade para cerca de 20 leitores e o seu espaço denomina-se Casa dos Escritores, uma homenagem à casa de Alsemberg, na Bélgica, onde se recolheram os jesuítas portugueses expulsos, quando a I República (1910-1926) recuperou o diploma de extinção das ordens religiosas, logo após a queda da monarquia, antes de estabelecer a Lei da Separação Estado/Igreja.
A Biblioteca é conhecida pelos seus cerca de 160 mil volumes, incluindo edições históricas, como as originais da obra de padre António Vieira e a coleção de manuscritos científicos dos séculos XVII-XVIII.
Todas as divisões do antigo palácio evocam a memória jesuíta: Sala da Esfera, numa homenagem à mais antiga aula de ensino científico no ex-Colégio de Santo Antão, edifício que atualmente acolhe o Hospital de S. José, em Lisboa; Pátio das Cecídias, numa referência ao fundador da Brotéria, Joaquim Silva Tavares, que estudou botânica, designadamente as estruturas de vegetais também conhecidas como "galhas".
Há também a Sala Homem da Espuma, numa referência a um ensaio do jesuíta Manuel Antunes, a quem o diretor da revista, António Júlio Trigueiros, se referiu como "uma das mais brilhantes inteligências".
O diretor da revista recordou Manuel Antunes como responsável por "uma viragem na Brotéria, a quem deu a consistência do seu pensamento" nomeadamente através dos seus "acutilantes ensaios".
A programação da casa abre hoje com uma mesa redonda intitulada "Uberização do trabalho à luz da realidade portuguesa", com a participação do empresário Paulo Pereira da Silva, da jornalista Ana Carrilho e do padre jesuíta Manuel Cardoso.