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Novas instalações da revista Broteria, em Lisboa, abrem hoje ao público

Novas instalações da revista Broteria, em Lisboa, abrem hoje ao público

As novas instalações da revista Brotéria, no Bairro Alto, em Lisboa, abrem hoje ao público, pelas 18:00, com uma programação artístico-cultural que se prolonga até sábado, e que começa com a discussão sobre a "uberização do trabalho".

Lusa /

A revista e a sua biblioteca passam a ocupar o antigo palácio dos Condes de Tomar, onde esteve instalada a hemeroteca municipal, recuperado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que convidou a publicação da Companhia de Jesus para ocupar o edifício e, a partir dele, dinamizar culturalmente esta zona central da cidade, apresentando-se como "um espaço sossegado, onde se pode pensar", disse hoje o padre jesuíta Francisco Sassetti Mota, que dirige a casa.

A instalação da Brotéria neste edifício teve um custo de cerca de 400.000 euros, revelou o responsável, advertindo que "não estão todas as contas feitas".

A programação da casa abre hoje com uma mesa redonda intitulada "Uberização do trabalho à luz da realidade portuguesa", com a participação do empresário Paulo Pereira da Silva, da jornalista Ana Carrilho e do padre jesuíta Manuel Cardoso.

A programação prossegue na sexta-feira, às 13:30, com o músico Domenico Lancelotti, em "Máquina Mágica-Um Café na Brotéria", e, às 18:30, no âmbito de "Casa Aberta", realiza-se um debate entre Francisco Mota, Carlos Quevedo e Mareia Luísa Ribeiro Ferreira, sobre os "novos Desafios da Igreja Portuguesa".

Às 19:30, o padre jesuíta António Júlio Trigueiros, que dirige a revista, faz um "Brinde à Brotéria", seguindo-se uma sessão de fado com Rodrigo Rebelo de Andrade.

No sábado, às 11:00, o padre jesuíta Vasco Pinto de Magalhães aborda o tema "Entre o Deserto e o Jardim", e à tarde é inaugurada, no espaço de galeria, a exposição "Todas as Coisas: Brotéria", seguindo-se a atuação do DJ Bill Onair.

A Biblioteca da Brotéria, de acesso condicionado, vai abrir no verão, com o catálogo totalmente disponível `on-line`, assim como as requisições.

No local, a biblioteca tem uma capacidade para cerca de 20 leitores e o seu espaço denomina-se Casa dos Escritores, uma homenagem à casa de Alsemberg, na Bélgica, onde se recolheram os jesuítas portugueses expulsos, quando a I República (1910-1926) recuperou o diploma de extinção das ordens religiosas, logo após a queda da monarquia, antes de estabelecer a Lei da Separação Estado/Igreja.

A biblioteca da Brotéria é composta de 160.000 volumes, na qual se destacam um fundo de manuscritos e várias obras dos séculos XVII e XVII, várias primeiras edições e obras autógrafas. Entre as primeiras edições contam-se os títulos de padre António Vieira.

Na área do livro antigo existem "mais de 5.000 livros", disse Sassetti Mota, que destacou a dedicação dos antigos jesuítas na compra de "todas as obras possíveis", com sacrifício das refeições: "Daí comerem muitas vezes, arroz com feijão", afirmou.

A biblioteca conta ainda com 9.500 monografias, disse o responsável, que salientou "a troca com outras revistas, nomeadamente estrangeiras".

Todas as divisões do antigo palácio evocam a memória jesuíta: Sala da Esfera, numa homenagem à mais antiga aula de ensino científico no ex-Colégio de Santo Antão, edifício que atualmente acolhe o Hospital de S. José, em Lisboa; Pátio das Cecídias, numa referência ao fundador da Brotéria, Joaquim Silva Tavares, que estudou botânica, designadamente as estruturas de vegetais também conhecidas como "galhas".

Há também a Sala Homem da Espuma, numa referência a um ensaio do jesuíta Manuel Antunes (1918-1985), a quem António Júlio Trigueiros se referiu como "uma das mais brilhantes inteligências".

O diretor da revista recordou Manuel Antunes como responsável por "uma viragem na Brotéria, a quem deu a consistência do seu pensamento" nomeadamente através dos seus "acutilantes ensaios".

O edifício, além da Biblioteca e da residência permanente para seis padres jesuítas, inclui salas que podem receber diversos eventos, uma galeria, a livraria Snob, a instalar posteriormente, e uma cafetaria, numa área de cerca de 2.250 metros quadrados, e ainda um pátio.

O regresso dos jesuítas a esta zona da cidade, onde outrora foi a sua "casa-mãe", a Igreja de S. Roque, atualmente entregue à SCML, é acompanhada pela entrega a esta ordem religiosa da paróquia de N. S. da Encarnação, nas imediações, acrescentando-se que o padre jesuíta António Júlio Trigueiros é o capelão da SCML e o reitor da Igreja de S. Roque.

A manutenção do edifício tem um orçamento previsto de cerca de 300.000 euros, que a Companhia de Jesus conta conseguir das assinaturas da revista Brotéria, da cafetaria e ainda através dos seus parceiros, entre os quais a universidade jesuíta de Boston, e de doadores, além de contarem com o arrendamento do palacete na zona da Lapa onde a revista e biblioteca funcionavam anteriormente, e do arrendamentos das salas.

Quanto às contrapartidas à SCML, que custeou todas as obras de restauro, Francisco Mota referiu um apoio na área museológica a um projeto da instituição na zona do Castelo, em Lisboa, e a realização de seminários anuais para funcionários da Misericórdia, nas áreas da História e da Ética.

Na casa vão residir seis padres jesuítas, mas a equipa é de dez pessoas, e inclui vários leigos, "pois quer fazer-se o melhor e de forma profissional", explicou Sassetti Mota, referindo a captação profissionais para áreas como a Comunicação, Internet, Imagem, Arquitetura e Controlo Financeiro, entre outras.

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