Novo CD de Susana Baca homenageia influências negras na música peruana
O álbum da peruana Susana Baça "Del fuego y del agua", que chega esta semana ao mercado nacional, é apresentado como "uma homenagem à contribuição na formação da música popular peruana", conforme se lê na sua capa.
"Copla de la Ó", "Negros del combo", "Toro mata" ou "La veguera" são algumas das 16 canções incluídas neste álbum que procura espelhar a influência da música negra nas tradições musicais andinas.
Para além de intérprete, Susana Baca tem realizado várias pesquisas que procuram determinar as várias influências musicais, nomeadamente junto das comunidades negras e mestiças.
A cantora, que começou a gravar a sua poesia e música numa cassete, fundou em Lima o seu próprio centro de investigação, o Instituto Negro Continuo.
David Byrne foi o responsável por, em 1995, trazer a intérprete peruana e o seu trabalho de pesquisa à ribalta da "world music", onde hoje a BBC Rádio 3 a considera uma das "divas" ao lado de Cesária Évora (Cabo Verde) e Omara Portuoundo (Cuba).
A canção "Maria lando", integrada no álbum "The Soul of Black Peru", deu a conhecer Susana Baca ao mundo.
Baca nasceu no bairro negro de Chorrillos, na capital peruana, onde cedo procurou conhecer mais sobre as raízes negras da música popular, mas, como a própria confessaria mais tarde, "tal música mal passava nas rádios e nem ia à televisão".
Foi o reconhecimento internacional da sua arte que despertou o interesse para esta pesquisa e formação musical, levando a cantora e o seu marido, Ricardo Pereira, a fundar um instituto de apoio e recolha das pesquisas etnomusicais.
Os negros chegaram ao Peru no século XVI como mão-de-obra escrava, tendo desenvolvido ao longo dos séculos uma mestiçagem cultural com índios e hispânicos.
Este álbum, onde Baca interpreta entre outros "Tonada del Congo" e "Aparición", acompanham-na Félix Vilchez (contrabaixo e teclados), Félix Casaverde (guitarra acústica), Juan Medrano Cotito (cajón), Félix Vilchez (banjo), Lili Romero (violino), Carlos Espinoza (saxofone), Hugo Bravo (percussão e congas) e Ramon Stagnaro (guitarra eléctrica) além de dois coros, um de crianças e outro de adultos.
O álbum foi editado em 1999 e só agora é comercializado em Portugal através da Dargil Discos.
Para a crítica musical Elisa Murray, Susana Baca "dá voz e forma a uma rica, outrora marginalizada tradição musical".