Novo filme de Joaquim Leitão, "20,13 - Purgatório", estreia em Dezembro
O novo filme de Joaquim Leitão, "20,13 - Purgatório", em rodagem no campo de Tiro de Alcochete, será estreado a 7 de Dezembro, simultaneamente em Portugal e Moçambique.
O filme, cujo titulo remete para uma referencia bíblica ao livro "Levit ico", é a segunda parte da trilogia dedicada à guerra colonial, iniciada com "In ferno" (1999).
A acção decorre "algures no Norte de Moçambique" e, como em "Inferno", desenrola-se em 24 horas, da véspera à manhã de Natal, quando a Frelimo (movimen to de guerrilha) decide atacar um quartel português, não respeitando uma "trégua tácita", explicou hoje aos jornalistas o realizador.
"Esta é uma história diferente, de guerra, de amores desencontrados e p olicial sem envolver a Polícia pois há um crime", explicou Joaquim Leitão.
A acção começa na véspera de Natal quando um grupo de soldados traz par a o quartel um prisioneiro que aparecerá assassinado, e também quando chega de s urpresa a mulher do capitão, acompanhada pelo capelão que vai celebrar a missa.
Para realizar este filme, com um orçamento de 1,3 milhões de euros, o p rodutor, Tino Navarro, optou por montar os cenários, de interior e exterior, no Campo de Tiro de Alcochete.
Navarro ainda projectou a possibilidade de filmar em Moçambique, mas "d ificuldades logísticas, desde encontrar o número suficiente de figurantes branco s, até aos carros, beliches e armas de época", levou-o a optar por Alcochete, co ntando "com as facilidades da Força Aérea e do Exército".
No campo de tiro foi possível construir a parada de um quartel assim co mo os interiores das diversas instalações militares, nomeadamente o posto de rád io, a messe de oficiais, a cantina e as casernas.
As filmagens começaram na semana passada e continuarão até 12 de Agosto , estando a estreia marcada para dia 07 de Dezembro simultaneamente em Portugal e Moçambique e "praticamente assegurada a estreia também em Angola" e depois no Brasil, disse Antunes João, administrador da Lusomundo, a quem caberá a distribu ição do filme.
Em Portugal o filme de Joaquim Leitão passará em cerca de 30 salas, adi antou o responsável da Lusomundo.
Tino Navarro afirmou que é necessário "abrir janelas para os países ond e se fala o português, que são o nosso mercado natural".
Para o produtor, o futuro do cinema português passa por "aproveitar o n icho de mercado de língua portuguesa".
Navarro defendeu ainda, "apesar das impossibilidades legais e comerciai s", de, "num futuro próximo" os filmes saírem na mesma altura para o mercado das salas de cinema e o do DVD.
"20,13 - Purgatório" conta com o desempenho de 27 actores e centenas de figurantes.
à frente do elenco estão Adriano Carvalho, Marco d`Almeida, Carla Chamb el, Maya Booth, Nuno Nunes e Ivo Canelas.
O título "20,13" é uma referência bíblica ao livro "Levítico", que, com o o desvendará o capelão, será a chave do mistério de quem matou o prisioneiro t razido do mato pelas tropas portuguesas.
Navarro prometeu ainda "muito espectacularidade" neste filme, nomeadame nte o ataque ao quartel português, encenado com o contributo do especialista irl andês em efeitos especiais Conor Coughlan.
O fim da trilogia, sem data prevista, intitular-se-á "Paraíso" e a acçã o decorrerá numa vila portuguesa em dia de festa, entre jovens dos 18 aos 20 ano s que se interrogam perante o futuro, tendo como pano de fundo a guerra colonial , adiantou Navarro.
Tino Navarro considera que nos Estados Unidos o tema da guerra do Vietn ame, contemporânea da guerra colonial, "está esgotado", mas "em Portugal não se passa o mesmo". NL.