Novo livro com textos dos principais protagonistas conta história do caminho para "verdadeira Democracia"
Olhar para o 25 de novembro de 1975 como a data que colocou Portugal na rota da "verdadeira" democracia, dando corpo aos objetivos da Revolução de Abril, é o mote de um novo livro que reúne textos dos principais protagonistas da operação militar.
"25 de Novembro de 1975 50 anos depois" é o título do livro, coordenado pelo tenente-general Alípio Tomé Pinto e pelo major-general João Vieira Borges, reúne textos de David Martelo, Adília Fernandes, Alexandre Sousa Pinto, Manuel Apolinário, Alcino Ferreira da Silva, Luís Valença Pinto, David Castaño, António Vaz Afonso, António de Jesus Bispo, João Salgado Martins, Avelino Freitas de Meneses, José Pinto Ramalho, Nuno Lemos Pires, Miguel Maldonado e Fernando Melo Gomes, contando ainda com uma mensagem do general e antigo Presidente da República António Ramalho Eanes.
João Vieira Borges, que se tem destacado a comentar as várias guerras em curso em vários órgãos de comunicação social, tinha 13 anos quando se deu o 25 de novembro de 1975, uma operação militar que travou uma tentativa de golpe da extrema-esquerda.
Num posfácio deste novo livro, que tem chancela da Gradiva, o major-general faz seis perguntas a si próprio sobre o tema, afirmando ter ficado, então, com a ideia de "um movimento militar (liderado por Ramalho Eanes e Jaime Neves) que colocara ordem e disciplina nas Forças Armadas" e que "levaria á `verdadeira` Democracia, consubstanciada nas eleições legislativas de 25 de abril de 1976, mas eleições presidenciais de 27 de junho (em que foi eleito Ramalho Eanes) e nas eleições autárquicas de 12 de dezembro do mesmo ano.
"Chocava-me, então, o facto de os militares andarem mal uniformizados e de terem um discurso nada condizente com a instituição militar", escreve, num à parte, João Vieira Borges, presidente da Comissão Portuguesa de História Militar e investigador da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
No livro da Gradiva, colocado à venda nas livrarias esta semana, o tenente-general Alípio Tomé Pinto escreve no início de janeiro de 1975 "Abril estava em perigo", apontando que a deriva "atingiu o seu auge" a 11 de março de 1975, uma tentativa de golpe liderada pelo antigo Presidente António de Spínola que pretendia levar o país para a direita, e que ficou "marcada por instabilidade e medo: fuga de pessoas e bens; nacionalização de empresas, bancos, seguros e propriedades agrícolas, e delapidação das reservas financeiras".