Novo livro de Chico Buarque chega às livrarias brasileiras na próxima semana
São Paulo, 06 nov (Lusa) - O músico e escritor brasileiro Chico Buarque publica, este mês, o seu novo livro, "O Irmão Alemão", que estará disponível nas livrarias do Brasil a partir do próximo dia 14, segundo a editora Companhia das Letras.
O romance, cuja primeira tiragem é de 70 mil exemplares, já está disponível para pré-venda, pela internet, no mercado brasileiro. Ainda não há previsão de lançamento da obra em Portugal.
A nova obra, "O irmão alemão", ainda não teve a sinopse divulgada -- apenas um excerto, no "blog" da editora -, mas diz respeito a uma inquietação de Chico Buarque já relatada à imprensa brasileira, em antigas entrevistas: o facto de ter um meio irmão-alemão, filho de seu pai, que nunca conheceu.
O pai do cantor, o historiador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda, residiu em Berlim no final dos anos 1920.
Numa entrevista publicada em 1994, pela Folha de São Paulo, Chico Buarque disse que só soube da existência do irmão na década de 1960, e que nunca conseguiu encontrá-lo.
A única mensagem que Sérgio Buarque de Holanda teria recebido da ex-namorada que deixou em Berlim, seis anos antes de se casar no Brasil, foi durante a II Guerra Mundial, para pedir documentos que provassem que o filho, Sérgio Georg Ernst, não era descendente de judeus, informou o músico ao diário.
No "blog" da Companhia das Letras, a obra é apresentada como "um romance em busca da verdade e dos afetos" e o próprio Chico Buarque surge a ler um excerto da obra, reproduzido na página da editora.
"Era ao meu irmão que, de tempos em tempos, meu pai confiava um envelope a ser entregue na redação de A Gazeta, do outro lado da cidade", escreve Chico Buarque. "Para isso, além do dinheiro do bonde, ele o remunerava com uma quantia suficiente para uma semana de milk-shakes. Mas volta e meia meu irmão me repassava o dinheiro do bonde e o envelope, que eu levava a pé à redação".
"Certa vez - prossegue o autor mais à frente - parei para jogar um futebol de rua, era comum naquele tempo. Carros circulavam só de quando em quando, e ao avistá-los ao longe os meninos gritavam: olha a morte! (...) Nesse dia não foi o trânsito, foi uma chuva súbita que nos obrigou a apanhar depressa nossas coisas e buscar abrigo sob a marquise de um empório. Chegou a cair granizo, que catávamos do chão, chupávamos, atirávamos uns nos outros, uma festa. Mas de repente calhou de eu me lembrar do envelope do meu pai, que eu deixara debaixo de um pulôver e agora estava ali no meio do aguaceiro(...)"
Chico Buarque é mais conhecido por sua música e pelos seus mais de 80 discos editados em quase meio século de carreira, do que pela literatura. Entre as canções que compôs contam-se "Cálice", "Apesar de você", "Roda Viva", "Construção", "João e Maria", "Tanto Mar", "Fado tropical".
Como escritor, já venceu três prémios Jabuti, no Brasil, com os livros "Estorvo", "Leite Derramado" e "Budapeste", todos editados em Portugal, pela Dom Quixote, à semelhança de "Benjamin".
"Leite derramado" também recebeu o Prémio Portugal Telecom de literatura, em 2010.