Novo romance de Manuel de Queiroz "Os passos da glória" traça percurso do Conde de Santa Eulália

Lisboa, 12 Mar (Lusa) - O novo romance de Manuel de Queiroz, "Os passos da glória", ficciona a figura de Aleixo Queiroz Ribeiro, Conde de Santa Eulália, escultor distinguido em Paris com uma medalha de ouro, em 1892.

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Aleixo Queiroz Ribeiro, fidalgo da Casa Real, viveu dez anos em Paris, onde trabalhou com Augustin Rodin, e D. Manuel II encomendou-lhe uma estátua da mãe, Dª. Amélia.

O Conde de Santa Eulália viria a casar-se, em 1908, com Elizabeth Stetson, viúva do multimilionário John B. Stetson, da famosa fábrica de chapéus, quando desempenhava as funções de cônsul em Chiacgo.

O catedrático Carlos Reis, que irá apresentar a obra na próxima quinta-feira no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, assinalou à Lusa que "a construção da personagem do conde de Santa Eulália incorpora os protocolos dos grandes romances da época em que se passa o romance" (finais do século XIX).

O autor, na introdução do livro, salienta que "respeita escrupulosamente os factos, as personagens e as suas circunstâncias", mas Carlos Reis observa que a personagem é construída "num registo pós-modernista, isto é, de ficcionalização de uma figura histórica".

"Em `Os passos da glória` nada é real, tudo é romance, a figura e os acontecimentos são apenas a base", vincou Carlos Reis.

O investigador salientou ainda que, no romance, editado pela Bertrand, "há um permanente diálogo entre o real e a ficção".

O romance, disse, "incorpora-se na tradição dos grandes romances daquela época, de Eça de Queiroz, Machado de Assis, Henry James".

"Este é, sem dúvida - qualificou - um grande romance de costumes, capaz de criar cenários, construir personagens e ficcionar tempos sociais e históricos".

Relativamente ao romance de estreia de Manuel de Queiroz, "O dedo na ferida" (Prémio P.E.N. Clube para a primeira obra, em 2002), Carlos Reis considera que "há neste um claro amadurecimento".

"O autor surge agora mais ousado, no melhor sentido, o livro mais trabalhado, mais estudado e mais refinado na técnica", sublinhou.

Manuel de Queiroz, 59 anos, é arquitecto de profissão. De 1967 a 1974 publicou regularmente poemas e contos em diversos jornais e revistas e, em 1969, o seu primeiro livro de poesia, "Encontro".

NL.

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