Nuno Rogeiro escreve "As aventuras de Miguel", histórias para comer

Lisboa, 28 Mar (Lusa) - Nuno Rogeiro, analista de questões de internacionais, estreou-se na ficção com um livro de histórias para crianças com ilustrações do próprio autor, "As aventuras de Miguel".

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O livro, publicado pela Gradiva, que decidiu dedicar o mês de Março à publicação exclusiva de obras destinadas ao público-juvenil, tem na capa a indicação de que se trata de "histórias para comer".

"A verdade é que, naquele tempo, os meus filhos não comiam (...) e porque não comiam era preciso inventar alguma coisa", escreveu Nuno Rogeiro no prefácio ao justificar as origens dos contos.

"São histórias que contei aos meus filhos a partir de 1991 e durante mais de 10 anos", disse à Lusa o autor, pai de quatro filhos, com idades entre os 8 e os 23 anos.

A odisseia de inventar histórias e contá-las na cozinha, na sala ou "num restaurante barulhento" era feita com "um contrato claro: o pai inventava, mas os rebentos jantavam".

Por considerar que tinha "um espólio interessante de contos" e que lhe apetecia experimentar algo de novo na escrita, Nuno Rogeiro decidiu publicá-los.

O herói destas 40 histórias é "um fedelho" chamado Miguel, com a mãe doente e o pai ausente.

"Criança alegre, passa por muitas tristezas. Criança especializada na pilhéria, danada para a brincadeira, tem muitas lágrimas para penas ao longo destas páginas", escreveu Rogeiro no prefácio.

No livro, surgem títulos como "Miguel e a grande muralha", "Miguel e a asma do fantasma" "Miguel e o árbitro roubado", ou "Miguel no barbeiro homicida".

Segundo o autor, "sendo esta uma sucessão de histórias para crianças, ou pensada para crianças e adolescentes, é também uma colecção de memórias, pseudo-infantis, de um adulto".

O editor Guilherme Valente sugeriu-lhe que ilustrasse também o livro e para Nuno Rogeiro essa foi "uma aventura dentro da aventura".

"Fui buscar alguma inspiração à banda desenhada dos anos 70", revelou o autor que - "se o Miguel não entrar em greve"- promete um outro livro com uma série de novas aventuras.

"Gostava, singelamente, que este pudesse ser um livro de família, lido em família, discutido em família, destruído em família", sugere Nuno Rogeiro, que incluiu no livro algumas aventuras incompletas que os leitores são convidados a acabar.


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