"O Beijo da Mulher Aranha" estreia no Mundial

Começou por ser um romance, depois o autor transformou-o em peça de teatro e, finalmente, foi adaptado ao cinema: é "O Beijo da Mulher Aranha", do argentino Manuel Puig, que se estreia quarta-feira no Teatro Mundial, em Lisboa.

Agência LUSA /

O filme inspirado na obra realizado em 1983-84 pelo cineasta brasileiro Hector Babenco é protagonizado por um William Hurt, no papel de Luis Alberto Molina, um homossexual com queda para "mulher fatal", que se encontra preso por assédio sexual de menores, numa prisão argentina, em tempo de ditadura.

O director da cadeia coloca-o a partilhar a cela com Valentín Arregui Paz (Raul Julia), um prisioneiro político diariamente torturado, esperando, assim, obter informações sobre as actividades subversivas deste.

Na peça que se estreia quarta-feira no Mundial, com encenação de Almeno Gonçalves, Luís Lourenço é Molina, Pedro Giestas é ValentínÓ e a história é a mesma: Molina, personagem a leste da política, vive num mundo de delírio e vai contando a Valentín os filmes que viu e que mistura com a realidade, como forma de evasão da prisão.

Valentín é um homem duro, revolucionário, e ao mesmo tempo conservador, porque encara como um sinal de fraqueza qualquer manifestação de sentimentos que não esteja relacionada com os seus ideais políticos.

"Ao fazer o filme, Babenco fez com que a evasão fosse real. No teatro, ela é feita através da forma como os actores a transmitem e são os próprios espectadores que a criam nas suas cabeças. Não existe um filme propriamente dito, há apenas um holograma", realizado por Leonel Vieira, disse à Lusa Almeno Gonçalves.

As duas personagens são muito diferentes, mas o universo de fantasia de Molina e o sofrimento físico de Valentín acabam por aproximá-las.

Ao longo da peça, assiste-se a um processo de transferência e identificação em que ambos vão eliminando diferenças, preconceitos e o medo que sentem um do outro e gradualmente encontram sentimentos de solidariedade, respeito mútuo, amizade e amor.

"É uma história de amor", resumiu o encenador, explicando que esta peça surge no âmbito de uma trilogia que está a ser levada a cena pela OnTheRoad, uma estrutura de produção de conteúdos teatrais formada pelo Teatro Mundial, Teatro Nacional D. Maria II e Teatro da Trindade, com o objectivo de levar as peças que produz a todo o país para dinamizar os novos teatros e criar novos públicos.

A primeira peça desta trilogia de histórias de amor é "Proof - Amor à Prova", de David Auburn, actualmente em cena no Mundial, "O Beijo da Mulher Aranha" é a segunda e a terceira será "Amo-te, Che", um musical do português Abel Neves, que será estreado em Abril.

Os denominadores comuns são "o amor como um instrumento da inteligência" e uma certa "incidência" das histórias no continente americano, apontou Almeno Gonçalves.

"Os três textos que vamos produzir são histórias de amor de uma latitude que é a da América. O `Amor à Prova` é de um autor norte- americano, `O Beijo da Mulher Aranha` de um argentino, e `Amo-te Che`, embora seja de um autor português, passa-se no México", sublinhou.

Antes de partir em digressão pelo país, a peça estará em cena no Teatro Mundial até 31 de Março.

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