O filme que está a incomodar Marine Le Pen

Chez Nous, ou Na Nossa Casa, conta a história do envolvimento político de uma enfermeira do norte de França num movimento de extrema-direita. A Frente Nacional contesta a estreia do filme a dois meses da primeira volta das eleições presidenciais francesas.

Andreia Martins - RTP /
DR

Há uma mulher loira na liderança de um movimento nacionalista de direita com enorme relevo em França. Não obstante as inegáveis semelhanças, não, não nos referimos a Marine Le Pen. Falamos antes de parte do enredo de um filme.

Chez Nous (Na Nossa Casa), centra-se na história de uma enfermeira (interpretada pela atriz Émilie Dequenne) que alcança enorme visibilidade política na região de Nord-Pas-De-Calais quando se envolve nas ações do partido “Bloco Patriótico”, uma autêntica versão fictícia da Frente Nacional.

O filme chega às salas de cinema francesas a 22 de fevereiro mas já está a incomodar as principais fileiras do partido de extrema-direita. Tudo porque o trailer, divulgado no passado dia 30 de dezembro, mostra pela primeira vez a líder do movimento imaginário, papel interpretado pela atriz Catherine Jacob, com uma caracterização que dificilmente escapa aos paralelismos com a vida real.



As parecenças físicas da personagem com Le Pen são tais que Florian Philippot, vice-presidente da Frente Nacional, considerou que era “um escândalo” e mesmo “inaceitável” que a película estreie dois meses antes do ato eleitoral, já que se trata de um filme “claramente anti-Frente Nacional”.

Gilles Pennelle, dirigente regional do partido, refere que o filme constitui “uma falta de respeito para com os franceses e a sua liberdade de expressão”.

No Twitter, Gilbert Collard, deputado da Frente Nacional, compara mesmo o filme à propaganda nazi durante o III Reich. "Admiradores de Goebbels, os produtores de Chez Nous", escreve.

Lucas Belvaux, o realizador do filme no centro da polémica, nega as acusações: “[Philippot] ainda só viu o trailer, por isso esta é uma controvérsia barata que só serve para evitar o debate sobre a verdadeira mensagem do filme”.

“Não é tanto um filme anti-Frente Nacional, mas antes um filme sobre mensagens populistas e sobre a forma como as pessoas se relacionam com a política. É isso que me interessa, não os partidos políticos”, referiu o realizador belga em declarações à rádio francesa RMC/BFMTV.

O cineasta recusa que este filme seja uma tentativa de influenciar a cena politica em França ou o voto dos eleitores. “Não é um filme militante. (…) Foi feito para provocar discussão, não para provocar ou amedrontar a Frente Nacional”, acrescentou.
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