"O Paraíso, Agora!" mostra perfil de bombistas suicidas palestinianos
O filme "O Paraíso, Agora!", de Hany Abu-Assad, que estreia dia 31 de Agosto num cinema de Lisboa, procura mostrar o rosto humano dos bombistas suicidas palestinianos.
O filme, hoje exibido à comunicação social, recebeu em Janeiro de 2006 o Globo de Ouro para Melhor Filme Estrangeiro, atribuído pela associação da impr ensa estrangeira em Hollywood, e ganhou três prémios no último festival de Berli m: Melhor Filme Europeu, Amnistia Internacional e Prémio do Público.
Foi também o primeiro filme palestiniano - resultado de uma co-produção da Palestina/Holanda/Alemanha e França - a ser nomeado para Melhor Filme Estran geiro para os Óscares norte-americanos deste ano.
Por ter sido realizada em parte em Nablus, território ocupado pelos isr aelitas, a rodagem da longa-metragem ficou marcada pelos riscos diários que a eq uipa enfrentou nas filmagens, e que levou à saída de seis técnicos alemães.
Numa entrevista ao jornal britânico "The Guardian", o realizador Hany A bu-Assad, um palestiniano com passaporte israelita radicado na Holanda, revelou que todos os dias foram obrigados a parar de filmar devido a tiroteios ou rebent amento de mísseis.
Do lado palestiniano, o cineasta também enfrentou a fúria de um grupo a rmado que achou que o filme não representava os bombistas suicidas numa boa ópti ca, e por isso quiseram impedi-lo de continuar a filmar no território.
O filme descreve as 24 horas que antecedem o cumprimento de uma missão de dois jovens bombistas suicidas, Khaled (Kais Nashef) e Sa´d (Ali Suliman), am igos de infância, recrutados para cometer um atentado suicida em Telavive.
O objectivo do realizador foi mostrar neste filme o rosto humano dos bo mbistas suicidas, a sua história pessoal, além das terríveis consequências dos a ctos que praticam e que são exibidas em todo o mundo pelas televisões.
Para conceber o filme, Haby Abu-Assad estudou os interrogatórios dos bo mbistas suicidas que tinham falhado, leu os relatórios oficiais israelitas, falo u com pessoas próximas, nomeadamente familiares e amigos, e concluiu que "não há estereótipos, não há duas histórias iguais".
Ambos os protagonistas aceitam ser recrutados para a missão suicida por que acreditam que esta é a única forma - "o corpo é a única coisa que nos resta" , dizem no filme - de resistir ao inimigo com um poderio militar muito superior.
No entanto, enquanto Khaled, cujo pai foi ferido pelo exército israelit a, parece pronto a morrer pela causa, Sa´d aparenta ter dúvidas, mas a sua histó ria pessoal está também marcada pelo facto do pai ter sido executado por palesti nianos acusado de colaboracionismo.
Na sequência de um súbito abortar da missão, ambas as posições contra e a favor dos extremismos são debatidas no filme, sobretudo pela voz de outra per sonagem, Suha (Lubna Azabal), filha de uma figura importante da guerrilha, que d efende uma via alternativa não violenta de luta pela causa palestiniana.
Outro dos objectivos do realizador para a criação de "O Paraíso, Agora! " era justamente abrir o debate de forma a possibilitar "uma discussão intencion ada sobre as verdadeiras questões em causa" no conflito israelo-árabe.
De acordo com a distribuidora do filme em Portugal, a Atalanta Filmes, "O Paraíso, Agora!" estreia a 31 de Agosto no cinema King, em Lisboa, e segue de pois para o Porto e outras salas de cinema do país, ainda a definir.