"O Principezinho" editado com "as ilustrações originais nunca antes publicadas em Portugal"
Redação, 03 mar (Lusa) - O escritor Valter Hugo Mãe afirma que a obra "O Principezinho", de Antoine de Saint-Exupéry, publicada em 1943, é "capaz de transformar existências sem profundidade em gente" e aponta-a como "uma das obras mais cuidadoras de sempre".
"Cuidadora no sentido importante do humanismo, capaz de transformar existências sem profundidade em gente, como se, da forma mais simples, soubesse solucionar conflitos e impasses", escreve o autor no prefácio da nova edição d`"O Principezinho", da Porto Editora, com "as ilustrações originais nunca antes publicadas em Portugal", segundo fonte editorial.
Entre as ilustrações que agora são publicadas, a mesma fonte referiu "a famosa gravura do meteorito".
"Pela primeira vez em Portugal, fixa-se o texto e ilustrações, de acordo com a edição original de 1943", sublinhou.
A nova edição, com capa dura almofadada e "um acabamento distinto", tem um formato de 21,5x28,5cm, e segue a publicação original de 06 de abril de 1943 pelas Edições Reynal & Hitchcock, em Nova Iorque, nas línguas inglesa e francesa.
Para Valter Hugo Mãe, "ler e reler `O Principezinho` é uma tarefa de felicidade". "A sua candura é toda ela inteligente contra qualquer ceticismo, derrotismo, hipocrisia ou maldade". E justifica em seguida: "Não se trata de um livro para crianças, trata-se de um livro para todas as pessoas, inclusive crianças".
Defende o escritor que a ficção foi inspirada na experiência pessoal de Saint-Exupéry enquanto piloto "e impressionado com o terror nazi".
"`O Principezinho` é uma reclamação de liberdade, um manifesto de dignidade que funciona pela sua simplicidade aparente", atesta Hugo Mãe.
Saint-Exupéry "conta-nos acerca do fundamental de acreditar e do quanto só se justificam as oportunidades pela limpidez de caráter".
Além desta edição especial, a editora inclui este texto, traduzido e adaptado por Alexandra Guimarães, na sua coleção "Educação literária", numa capa cartonada, com o formato 13x19,5cm, também com todas as ilustrações.
A obra é aconselhada pelo Plano Nacional de Leitura, e é um dos livros mais traduzidos em todo o mundo, tendo já dado origem a jogos, séries televisivas e a vários objetos e material didático.
A narrativa é protagonizada por um pequeno príncipe, que conta a um piloto as suas aventuras, através de um conjunto de histórias ilustrativas de uma verdade moral ou espiritual. Nestas histórias, com um cenário planetário, de estrelas e planetas, intervêm outras personagens, como um rei, um geógrafo, uma raposa, uma rosa e uma serpente.
Em abril de 1943, em plea II Guerra Mundial, quando a obra foi publicada, o escritor e piloto francês, de 44 anos, partiu numa missão de reconhecimento para as tropas aliadas, ao largo da Riviera francesa, e desapareceu.
Na altura, "a sua reputação de escritor estava perfeitamente consolidada", segundo o seu biógrafo Paul Webster, tendo já recebido distinções como o Prémio Femina, por "Voo noturno", o grande prémio do romance da Academia Francesa, por "Terra de homens", e o Prémio Nacional do Livro dos Estados Unidos, pela edição norte-americana de "Wind, sand and stars".
"Era um escritor de exceção, fascinado, no plano profissional e estético, pelo uso e impacto da língua escrita", afirma Paul Webster, que realça a "concisão dos seus livros", em "Antoine de Saint-Exupéry. Vida e Morte do Principezinho", título originalmente editado no centenário do nascimento do escritor, assinalado em 2000.
"O aviador", de 1926, que marca a estreia de Saint-Exupéry, "Piloto de guerra", de 1942, "O Principezinho" e "Carta a um refém", publicado em 1944, são algumas das obras do escritor, com texto fixado e publicação definida antes da sua morte.
"Cidadela" (1948), "Cartas de juventude 1923-31" (1953), "Um sentido da vida" (1956), "Escritos de guerra 1939-44" (1982), "Manon" (2007) e "Cartas ao desconhecido" (2008) contam-se entre as obras publicadas postumamente.